Flávio Lauria

Inverno da desesperança

"Inspirados em indignações ou encantamentos, meus artigos refletem a marca de valores legados pelos construtores da minha bagagem", diz Flávio Lauria


Existem marcas deixadas por leitores que me nutrem o coração com reações do tipo: seu artigo lavou-me a alma, me fez rir, me comoveu, me fez dizer "É isto mesmo". Sinalizam que não estou sozinho em meus modos de perceber e de pensar. Também sou construtivamente marcado pelos que discordam e criticam, pois me ajudam a manter a mente aberta.

Inspirados em indignações ou encantamentos, meus artigos refletem a marca de valores legados pelos construtores da minha bagagem em seus "recados de vida": Ignorância gera besteira ou desgraça. Pode ser melhor, sim. Desconfie sempre do governo e não confie demais na oposição. Discurso é ação e o autor deve ser responsabilizado por suas palavras. O preço das decisões é para ser pago sem queixas. Imoral é enganar os outros. 
 

Foto: Reprodução/Shutterstock

 

O bem que fizeres retorna a ti, o mal também. Sede assim, qualquer coisa, serena, isenta, fiel. Quem merece de Deus os dias e as noites, merece de nós bom dia, desculpe e obrigado. Faz vinte anos que comecei a escrever semanalmente para jornais em Manaus. Entre pesadas máquinas de escrever Olivetti, na velha redação do Diário tive a atenção fraterna do jovem e já experiente repórter Ajuricaba, cujo bom humor e coleguismo são inesquecíveis.

Depois de outros tantos anos como docente, eis-me colaborador da página de Opinião, onde publiquei mais de 1.130 matérias. Falei de mazelas sociais, desmantelos urbanos, amor, ética, política, religião e até futebol. Com profissionalismo, respeitei rigorosamente o limite determinado para o tamanho dos textos, apurando forçosamente um estilo enxuto que parece agradar à minha vintena de leitores.

Após todos estes anos, sem abandonar a causa do respeito às diferenças nem o sonho de melhora da cidade e do Mundo, confesso que ao receber uma curtição ou um compartilhamento no Facebook onde também publico meus artigos, sinto-me regozijado, formando opiniões, e para alguns leitores sendo o contraponto do que pensam. O labor e a responsabilidade de expressar ideias esculpindo textos são para mim, também curtição.

Prossigo de olho no mundo, de coração nos afetos, de alma na trilha da paz. Continuo como artesão de textos em outros contextos, nutrindo a humilde esperança de marcar um pouco os outros com minha visão de mundo e ser por eles marcada. O que torna nossa sociedade perversa é o fato de a vulnerabilidade institucional ser benéfica aos poderosos e madrasta para o cidadão comum.

Das práticas mais comezinhas do cotidiano às decisões dos mais altos escalões administrativos é patente que as instituições não conseguem impor funcionalidades impessoais. Não servem à coletividade porque funcionam mal e porque se ajustam aos projetos de seus dirigentes circunstanciais.

Enfim, para encerrar esta epístola e, assim, abreviar o tédio de quem teve a pachorra de lê-la até aqui, tenho a convicção de que o inverno de nossa desesperança, não será longo demais. Há, neste querido Brasil e em Manaus, instituições em que você e eu temos de acreditar, pelo inegável papel histórico que representam. Há inúmeros outros varões, com dignidade, senso de responsabilidade, boa vontade e desejo de lutar contra uma situação que envergonha, deprime e degrada uma pátria que desejamos nobre, altiva e independente. Boa semana santa a todos.

 


Flávio Lauria

Inverno da desesperança

"Inspirados em indignações ou encantamentos, meus artigos refletem a marca de valores legados pelos construtores da minha bagagem", diz Flávio Lauria

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Existem marcas deixadas por leitores que me nutrem o coração com reações do tipo: seu artigo lavou-me a alma, me fez rir, me comoveu, me fez dizer "É isto mesmo". Sinalizam que não estou sozinho em meus modos de perceber e de pensar. Também sou construtivamente marcado pelos que discordam e criticam, pois me ajudam a manter a mente aberta.

Inspirados em indignações ou encantamentos, meus artigos refletem a marca de valores legados pelos construtores da minha bagagem em seus "recados de vida": Ignorância gera besteira ou desgraça. Pode ser melhor, sim. Desconfie sempre do governo e não confie demais na oposição. Discurso é ação e o autor deve ser responsabilizado por suas palavras. O preço das decisões é para ser pago sem queixas. Imoral é enganar os outros. 
 

Foto: Reprodução/Shutterstock

 

O bem que fizeres retorna a ti, o mal também. Sede assim, qualquer coisa, serena, isenta, fiel. Quem merece de Deus os dias e as noites, merece de nós bom dia, desculpe e obrigado. Faz vinte anos que comecei a escrever semanalmente para jornais em Manaus. Entre pesadas máquinas de escrever Olivetti, na velha redação do Diário tive a atenção fraterna do jovem e já experiente repórter Ajuricaba, cujo bom humor e coleguismo são inesquecíveis.

Depois de outros tantos anos como docente, eis-me colaborador da página de Opinião, onde publiquei mais de 1.130 matérias. Falei de mazelas sociais, desmantelos urbanos, amor, ética, política, religião e até futebol. Com profissionalismo, respeitei rigorosamente o limite determinado para o tamanho dos textos, apurando forçosamente um estilo enxuto que parece agradar à minha vintena de leitores.

Após todos estes anos, sem abandonar a causa do respeito às diferenças nem o sonho de melhora da cidade e do Mundo, confesso que ao receber uma curtição ou um compartilhamento no Facebook onde também publico meus artigos, sinto-me regozijado, formando opiniões, e para alguns leitores sendo o contraponto do que pensam. O labor e a responsabilidade de expressar ideias esculpindo textos são para mim, também curtição.

Prossigo de olho no mundo, de coração nos afetos, de alma na trilha da paz. Continuo como artesão de textos em outros contextos, nutrindo a humilde esperança de marcar um pouco os outros com minha visão de mundo e ser por eles marcada. O que torna nossa sociedade perversa é o fato de a vulnerabilidade institucional ser benéfica aos poderosos e madrasta para o cidadão comum.

Das práticas mais comezinhas do cotidiano às decisões dos mais altos escalões administrativos é patente que as instituições não conseguem impor funcionalidades impessoais. Não servem à coletividade porque funcionam mal e porque se ajustam aos projetos de seus dirigentes circunstanciais.

Enfim, para encerrar esta epístola e, assim, abreviar o tédio de quem teve a pachorra de lê-la até aqui, tenho a convicção de que o inverno de nossa desesperança, não será longo demais. Há, neste querido Brasil e em Manaus, instituições em que você e eu temos de acreditar, pelo inegável papel histórico que representam. Há inúmeros outros varões, com dignidade, senso de responsabilidade, boa vontade e desejo de lutar contra uma situação que envergonha, deprime e degrada uma pátria que desejamos nobre, altiva e independente. Boa semana santa a todos.

 

TAG ManausarticulistaFlavio Lauria