Flávio Lauria

Fábulas e verdades


Foto:Reprodução/Shutterstock
 
Algumas pessoas pensam que nasceram para serem admiradas. Querem, a todo custo, serem notadas pelas virtudes que têm ou pensam ter. No livro “O Pequeno Príncipe”, um dos personagens que aparece é o vaidoso. Ao receber o Príncipe, não se faz de rogado e ordena logo os aplausos para si.

Mesmo não existindo mais ninguém no planeta, além dele, quer ser o mais bonito, o mais inteligente, o mais rico... Decepcionado, com tal recepção, o Pequeno Príncipe foi se embora. Não estava disposto a aplaudir apenas para satisfazer o ego alheio.

Na mitologia grega, todos conhecem, a estória de Narciso. De tão  encantado, com a própria beleza refletida no lago, acabou se afogando. Ao ler a estória, a gente pensa: que pena! Um jovem tão bonito e uma morte tão feia...

Infelizmente, esta parece ser a sorte reservada aos vaidosos. Algumas pessoas não conseguem ver nada mais, além de si  mesmas. Não conseguem trabalhar em equipe, nem colaborar com os outros. Sobre o pedestal onde se postam, só querem o perfume do incenso alheio.

Jean de la Fontaine, em uma de suas fábulas, relata-nos a estória da raposa e do urubu. Após comer um bife, “bem passado”, o urubu segurava um grande pedaço de queijo no bico, enquanto  descansava no alto de uma árvore. Uma sábia raposa, entretanto, aproximou-se dele dizendo: Estou sabendo! Disseram-me que você tem o canto mais lindo da floresta! Pena que ainda não tive o prazer de ouvi-lo, completou com olhar de aparente tristeza. Diante de tal elogio, o urubu estufou o peito e começou a cantar desajeitado. O pedaço de queijo caiu direto na boca da raposa que saiu correndo pela  floresta.

Hoje, muita gente, ainda perde o queijo por causa da vaidade excessiva. Quantos profissionais deixam de crescer e se especializar pensando que já sabem tudo? A vaidade, nesse caso, leva à morte do profissional. Um mercado competitivo, como o nosso, não tolera muito os urubus...

Outra fábula que li, quando criança, dizia que o pavão era a ave mais vaidosa da floresta. As penas de sua cauda, quando agitadas, provocavam um espetáculo de rara beleza. Mas, como nada é perfeito, o que sobrou em seu rabo, faltou em seus pés. Os pés do pavão causava escândalo  de tanta feiura. Por causa disso, o pavão levantava o rabo, não tanto para mostrar sua beleza, mas para esconder a feiura dos próprios pés.

O vaidoso, ao que parece, quer muita atenção sobre si, também para esconder as lacunas de sua personalidade e a miséria real na qual se encontra. Numa organização, o “sucesso pessoal”, quase sempre é resultado de um  esforço coletivo. Para que o piloto vença a corrida, não podemos ignorar o papel do mecânico, ainda que ele não apareça. Os salvadores da Pátria, há muito caíram de moda. O pódio poderá ceder lugar ao túmulo, se um simples mecânico deixar de colocar o parafuso no lugar certo. Se o barco afundar, a morte não será reservada somente ao piloto, mas a toda a tripulação.    

Flávio Lauria

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Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


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Algumas pessoas pensam que nasceram para serem admiradas. Querem, a todo custo, serem notadas pelas virtudes que têm ou pensam ter. No livro “O Pequeno Príncipe”, um dos personagens que aparece é o vaidoso. Ao receber o Príncipe, não se faz de rogado e ordena logo os aplausos para si.

Mesmo não existindo mais ninguém no planeta, além dele, quer ser o mais bonito, o mais inteligente, o mais rico... Decepcionado, com tal recepção, o Pequeno Príncipe foi se embora. Não estava disposto a aplaudir apenas para satisfazer o ego alheio.

Na mitologia grega, todos conhecem, a estória de Narciso. De tão  encantado, com a própria beleza refletida no lago, acabou se afogando. Ao ler a estória, a gente pensa: que pena! Um jovem tão bonito e uma morte tão feia...

Infelizmente, esta parece ser a sorte reservada aos vaidosos. Algumas pessoas não conseguem ver nada mais, além de si  mesmas. Não conseguem trabalhar em equipe, nem colaborar com os outros. Sobre o pedestal onde se postam, só querem o perfume do incenso alheio.

Jean de la Fontaine, em uma de suas fábulas, relata-nos a estória da raposa e do urubu. Após comer um bife, “bem passado”, o urubu segurava um grande pedaço de queijo no bico, enquanto  descansava no alto de uma árvore. Uma sábia raposa, entretanto, aproximou-se dele dizendo: Estou sabendo! Disseram-me que você tem o canto mais lindo da floresta! Pena que ainda não tive o prazer de ouvi-lo, completou com olhar de aparente tristeza. Diante de tal elogio, o urubu estufou o peito e começou a cantar desajeitado. O pedaço de queijo caiu direto na boca da raposa que saiu correndo pela  floresta.

Hoje, muita gente, ainda perde o queijo por causa da vaidade excessiva. Quantos profissionais deixam de crescer e se especializar pensando que já sabem tudo? A vaidade, nesse caso, leva à morte do profissional. Um mercado competitivo, como o nosso, não tolera muito os urubus...

Outra fábula que li, quando criança, dizia que o pavão era a ave mais vaidosa da floresta. As penas de sua cauda, quando agitadas, provocavam um espetáculo de rara beleza. Mas, como nada é perfeito, o que sobrou em seu rabo, faltou em seus pés. Os pés do pavão causava escândalo  de tanta feiura. Por causa disso, o pavão levantava o rabo, não tanto para mostrar sua beleza, mas para esconder a feiura dos próprios pés.

O vaidoso, ao que parece, quer muita atenção sobre si, também para esconder as lacunas de sua personalidade e a miséria real na qual se encontra. Numa organização, o “sucesso pessoal”, quase sempre é resultado de um  esforço coletivo. Para que o piloto vença a corrida, não podemos ignorar o papel do mecânico, ainda que ele não apareça. Os salvadores da Pátria, há muito caíram de moda. O pódio poderá ceder lugar ao túmulo, se um simples mecânico deixar de colocar o parafuso no lugar certo. Se o barco afundar, a morte não será reservada somente ao piloto, mas a toda a tripulação.    

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