Flávio Lauria

Esperamos que mude


Este é o desejo de muitos amazonenses e não amazonenses que residem no Amazonas, sobretudo dos que acabam de eleger Amazonino pela quarta vez como Governador do Estado. Foi da própria campanha de Amazonino o slogan “Vamos arrumar a casa em 12 meses”. Isto significa que estamos sendo convocados pessoalmente a mudar. Esta é uma convocação, ao mesmo tempo, fantástica e amedrontadora. Fantástica porque ela é a base da compreensão mais cristalina do que somos. “Somos pessoas em processo permanente de aprendizagem”, o que quer dizer protagonistas de mudanças drásticas, de tempos em tempos. Mas mudar dá muito medo. Por causa deste medo, muitas vezes nos encolhemos no já batido e experimentado, confortavelmente perigoso.

 

Foto:Reprodução/Shutterstock

 

Precisamos aprender as coisas mais simples, até como ter fome e sono, por incrível que pareça. E o que pensar de outras aprendizagens que são ainda mais complexas e mais exigentes, as quais não conseguimos fazer sem escola, tais como aprender a ler e a escrever, ou a ingressar nas maravilhas da estrutura multiplicativa dos números, quando da iniciação matemática, a qual faz uma falta grande para que a gente se sirva da articulação em rede que preside a maioria dos pensamentos. Pensar é indispensável para entender, porque às vezes somos felizes e às vezes não, e para nos ajudar a aumentar as chances de nos sentirmos bem.

Aprender é, portanto, mudar. Mas mudar tem dois momentos que se alternam, o das mudanças nas bases e o das mudanças em cima de bases assentadas. Há momentos em que mudar é colocar elementos para edificar sobre um alicerce posto. Há outros momentos em que mudar significa mexer nos próprios alicerces. Em política hoje, impõe-se o segundo momento, o de remexer nos próprios alicerces, para sobre eles conseguir apoiar novas estruturas.

Este momento implica remexer nas idéias que animam a prática dos políticos, porque, não há prática sem teoria, isto é, não há ação sem ideia por detrás. E são as idéias que sustentam a prática que demandam mudanças. As idéias vigentes nesta área estão equivocadas e superadas. E de seu equívoco emana uma injustiça detestável – a não-aprendizagem pelas pessoas nascidas em famílias pobres que frequentam nossas escolas públicas, quando eles todos podem aprender. Fazer esta mudança implica tanta coragem e tanto apoio popular como a mudança na ortodoxia monetarista que domina nosso modelo econômico.

Que cada um de nós ajude a promover tal mudança, porque, se você não muda, nada muda. Estamos todos convocados a gritar presente. Com certeza a construção de um contexto de um mundo mais igual e fraterno só será possível através da consciência individual, na busca por valores de cidadania e de justiça social. Até agora nenhuma sociedade alcançou a democracia sendo fiel a todos os seus princípios e valores até mesmo na Grécia Antiga onde esse sistema surgiu, boa parte da população era excluída das relações sociais, através da escravidão, da marginalização e da exploração do trabalho. Ainda hoje isso acontece. Não existem mais escravos, contudo as pessoas vivem muito em função de seu trabalho e levam um vida material, esquecendo as questões sociais e outros aspectos essenciais à existência humana. Todos estamos esperando que mude.


Flávio Lauria

Esperamos que mude

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Este é o desejo de muitos amazonenses e não amazonenses que residem no Amazonas, sobretudo dos que acabam de eleger Amazonino pela quarta vez como Governador do Estado. Foi da própria campanha de Amazonino o slogan “Vamos arrumar a casa em 12 meses”. Isto significa que estamos sendo convocados pessoalmente a mudar. Esta é uma convocação, ao mesmo tempo, fantástica e amedrontadora. Fantástica porque ela é a base da compreensão mais cristalina do que somos. “Somos pessoas em processo permanente de aprendizagem”, o que quer dizer protagonistas de mudanças drásticas, de tempos em tempos. Mas mudar dá muito medo. Por causa deste medo, muitas vezes nos encolhemos no já batido e experimentado, confortavelmente perigoso.

 

Foto:Reprodução/Shutterstock

 

Precisamos aprender as coisas mais simples, até como ter fome e sono, por incrível que pareça. E o que pensar de outras aprendizagens que são ainda mais complexas e mais exigentes, as quais não conseguimos fazer sem escola, tais como aprender a ler e a escrever, ou a ingressar nas maravilhas da estrutura multiplicativa dos números, quando da iniciação matemática, a qual faz uma falta grande para que a gente se sirva da articulação em rede que preside a maioria dos pensamentos. Pensar é indispensável para entender, porque às vezes somos felizes e às vezes não, e para nos ajudar a aumentar as chances de nos sentirmos bem.

Aprender é, portanto, mudar. Mas mudar tem dois momentos que se alternam, o das mudanças nas bases e o das mudanças em cima de bases assentadas. Há momentos em que mudar é colocar elementos para edificar sobre um alicerce posto. Há outros momentos em que mudar significa mexer nos próprios alicerces. Em política hoje, impõe-se o segundo momento, o de remexer nos próprios alicerces, para sobre eles conseguir apoiar novas estruturas.

Este momento implica remexer nas idéias que animam a prática dos políticos, porque, não há prática sem teoria, isto é, não há ação sem ideia por detrás. E são as idéias que sustentam a prática que demandam mudanças. As idéias vigentes nesta área estão equivocadas e superadas. E de seu equívoco emana uma injustiça detestável – a não-aprendizagem pelas pessoas nascidas em famílias pobres que frequentam nossas escolas públicas, quando eles todos podem aprender. Fazer esta mudança implica tanta coragem e tanto apoio popular como a mudança na ortodoxia monetarista que domina nosso modelo econômico.

Que cada um de nós ajude a promover tal mudança, porque, se você não muda, nada muda. Estamos todos convocados a gritar presente. Com certeza a construção de um contexto de um mundo mais igual e fraterno só será possível através da consciência individual, na busca por valores de cidadania e de justiça social. Até agora nenhuma sociedade alcançou a democracia sendo fiel a todos os seus princípios e valores até mesmo na Grécia Antiga onde esse sistema surgiu, boa parte da população era excluída das relações sociais, através da escravidão, da marginalização e da exploração do trabalho. Ainda hoje isso acontece. Não existem mais escravos, contudo as pessoas vivem muito em função de seu trabalho e levam um vida material, esquecendo as questões sociais e outros aspectos essenciais à existência humana. Todos estamos esperando que mude.

TAG Flavio Lauriaartigoarticulista