Flávio Lauria

Elcy Barroso

Fica eternizado em nossa memória, aquilo que construímos amorosa, ética e dignamente em nosso existir


 

Elcy Barroso. Foto: Divulgação

 

A vida também entardece. Inevitavelmente caminhamos todos nessa direção, e, como o sol, nos guardaremos no manto da noite. A sombra que avança para a noite nos dá notícia do tempo; do tempo que passou e do tempo que está aí, diante de nós. Descobrir esse tempo tem algo de medo, mas também de parto, de nascimento. É no tempo que dispomos que teremos de construir sentido para nosso estar-no- mundo. Não importa quanto tempo teremos, importa torná-lo precioso. Isso se faz renascendo em direções cada vez mais humanizadas e significativas. O pôr do sol tem cheiro de saudade, sim, mas é um privilégio ter do que sentir saudade.

Fica eternizado em nossa memória, aquilo que construímos amorosa, ética e dignamente em nosso existir. Todo esse preambulo é para falar da partida do meu amigo José Elcy Barroso Braga para a eternidade.

Depois de muito lutar pela sua sobrevivência aqui na Terra, partiu para habitar um novo ecossistema, o ecossistema dos céus. Elcy fez legítima uma máxima do poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz que dizia: “Diz-me como morreste e te direi quem és. Se não morrermos como vivemos é porque realmente não foi nossa a vida que vivemos”. Elcy deixa, com sua vida digna, e com sua maneira corajosa de morrer, uma prova de como a morte é uma extensão da vida. Se foi uma vida de lutas e de coragem será, também, uma morte com luta e coragem. A sua, assim o foi. Estou convencido de que o meu amigo Elcy foi um destes exemplos de pertinência que atravessa épocas distintas e contempla diferentes concepções de mundo.

Elcy vinha lutando, há dez meses, com a doença que o levou à morte neste último dia 27 de Janeiro. Mesmo neste período não se deixou abater. Na verdade sua morte aconteceu de forma coerente com a vida que levou. Uma vida de luta e de resistência aos autoritarismos de ação e de pensamento. Foi um intransigente lutador da liberdade. Um crítico permanente das injustiças sociais de toda ordem sem cair, no entanto, na armadilha do discurso fácil e oportunista, tão em voga hoje em dia, tanto de intelectuais de seriedade duvidosa quanto de políticos demagógicos e oportunistas.

La Rochefoucauld disse certa vez que para o sol e para a morte os homens não conseguiam olhar de frente. Querido Elcy, você agora é também mais uma estrela. Um sol. Não poderemos, portanto, olhá-lo de frente. Porém, por força de suas idéias, talvez, possamos olhar para um mundo melhor. Há momentos em que nos sentimos tão frágeis que procuramos amparo e braços fortes de alguém que nos proteja. Tantos adjetivos... A noite de sexta-feira ficará marcada nas vidas de muitos amazonenses e não amazonenses que tinham em comum, acima de qualquer comunhão objetiva, o respeito e a admiração por José Elcy Barroso Braga.

Somos uma legião de admiradores que tiveram a honra de conviver com ele. Nós, os privilegiados por poder durante muitos anos conviver e aprender com ele, neste momento sentimo-nos impotentes. Incapazes de compreender a justiça divina, que nos priva de um homem para quem os adjetivos de nossa língua dizem pouco. Um homem admirável por ser “decente” e nessa palavra se pretende reunir um universo de predicados que a ele pretendemos atribuir: homem de palavra, confiável, verdadeiro, honesto, equilibrado, corajoso, transparente.


Flávio Lauria

Elcy Barroso

Fica eternizado em nossa memória, aquilo que construímos amorosa, ética e dignamente em nosso existir

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


 

Elcy Barroso. Foto: Divulgação

 

A vida também entardece. Inevitavelmente caminhamos todos nessa direção, e, como o sol, nos guardaremos no manto da noite. A sombra que avança para a noite nos dá notícia do tempo; do tempo que passou e do tempo que está aí, diante de nós. Descobrir esse tempo tem algo de medo, mas também de parto, de nascimento. É no tempo que dispomos que teremos de construir sentido para nosso estar-no- mundo. Não importa quanto tempo teremos, importa torná-lo precioso. Isso se faz renascendo em direções cada vez mais humanizadas e significativas. O pôr do sol tem cheiro de saudade, sim, mas é um privilégio ter do que sentir saudade.

Fica eternizado em nossa memória, aquilo que construímos amorosa, ética e dignamente em nosso existir. Todo esse preambulo é para falar da partida do meu amigo José Elcy Barroso Braga para a eternidade.

Depois de muito lutar pela sua sobrevivência aqui na Terra, partiu para habitar um novo ecossistema, o ecossistema dos céus. Elcy fez legítima uma máxima do poeta e ensaísta mexicano Octávio Paz que dizia: “Diz-me como morreste e te direi quem és. Se não morrermos como vivemos é porque realmente não foi nossa a vida que vivemos”. Elcy deixa, com sua vida digna, e com sua maneira corajosa de morrer, uma prova de como a morte é uma extensão da vida. Se foi uma vida de lutas e de coragem será, também, uma morte com luta e coragem. A sua, assim o foi. Estou convencido de que o meu amigo Elcy foi um destes exemplos de pertinência que atravessa épocas distintas e contempla diferentes concepções de mundo.

Elcy vinha lutando, há dez meses, com a doença que o levou à morte neste último dia 27 de Janeiro. Mesmo neste período não se deixou abater. Na verdade sua morte aconteceu de forma coerente com a vida que levou. Uma vida de luta e de resistência aos autoritarismos de ação e de pensamento. Foi um intransigente lutador da liberdade. Um crítico permanente das injustiças sociais de toda ordem sem cair, no entanto, na armadilha do discurso fácil e oportunista, tão em voga hoje em dia, tanto de intelectuais de seriedade duvidosa quanto de políticos demagógicos e oportunistas.

La Rochefoucauld disse certa vez que para o sol e para a morte os homens não conseguiam olhar de frente. Querido Elcy, você agora é também mais uma estrela. Um sol. Não poderemos, portanto, olhá-lo de frente. Porém, por força de suas idéias, talvez, possamos olhar para um mundo melhor. Há momentos em que nos sentimos tão frágeis que procuramos amparo e braços fortes de alguém que nos proteja. Tantos adjetivos... A noite de sexta-feira ficará marcada nas vidas de muitos amazonenses e não amazonenses que tinham em comum, acima de qualquer comunhão objetiva, o respeito e a admiração por José Elcy Barroso Braga.

Somos uma legião de admiradores que tiveram a honra de conviver com ele. Nós, os privilegiados por poder durante muitos anos conviver e aprender com ele, neste momento sentimo-nos impotentes. Incapazes de compreender a justiça divina, que nos priva de um homem para quem os adjetivos de nossa língua dizem pouco. Um homem admirável por ser “decente” e nessa palavra se pretende reunir um universo de predicados que a ele pretendemos atribuir: homem de palavra, confiável, verdadeiro, honesto, equilibrado, corajoso, transparente.

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