Flávio Lauria

Dia Internacional da Mulher: há o que comemorar?


Já fiz alguns artigos homenageando o Dia Internacional da Mulher, às vezes pela coincidência da data, outras antecipando a homenagem, escrevendo até sobre o feminicídio. O que comemorar? Muito, podemos dizer, se compararmos a evolução da presença feminina na sociedade como um todo. Pouco, pode-se observar, se decidirmos analisar a presença das mulheres na política em nosso estado.

Apesar de alguns avanços notáveis, como o fato de hoje as mulheres poderem ocupar 30% das vagas destinadas aos partidos nas eleições – coisa que vigora para todo o País, diga-se de passagem – é difícil imaginar quando as mulheres vão poder dividir com os homens os cargos públicos, na real proporção da participação feminina na sociedade – mais de 50% do eleitorado. Basta recorrermos à ponta do lápis.

 

Foto:Reprodução/Shutterstock

 

Nas últimas eleições, as mulheres só conseguiram ocupar uma das 8 vagas de deputados federais do estado, com a vitória de Conceição Sampaio. Temos apenas uma mulher dos vinte e quatro deputados na Assembleia Legislativa, Alessandra Campelo, e uma Senadora, Vanessa Grazziotin. Na Câmara Municipal é pior a estatística, dos quarenta e um vereadores, somente quatro são mulheres. Em alguns casos experimentamos retrocesso. Também nos cargos de relevância do Estado, ambiente propício para o surgimento de candidaturas, temos poucas mulheres exercendo cargos de direção. Nunca elegemos uma mulher prefeita de capital. Muito menos uma governadora. Sinal dos tempos? Pode ser. Os quadros políticos no Brasil, e o Amazonas não é diferente, ainda se formam, em percentual elevado, no ambiente familiar e dificilmente um pai aposta em uma mulher na vida pública se tem um filho que possa lançar primeiro.

Se no próprio ambiente familiar é assim, como a sociedade vai reagir diferente? Seria o exagerado machismo o culpado por tudo isso? Novamente só um estudo sociológico para responder mas, sem sombra de dúvida, no dia em que a mulher depender menos do âmbito familiar para chegar à política, vai andar com muito mais celeridade e confiança. Exemplos em outros Estados já se tem de sobra e no mundo eles se multiplicam a cada dia, embora elas só comandem quatorze países no mundo. Na Alemanha, a primeira-ministra é uma mulher, Ângela Merkel, na Jamaica Portia Simpson-Miller, Michelle Bachelet comanda o Chile. Na Noruega Erna Solberg. No passado

A situação no Brasil exige a criação de políticas transversais no mais alto nível da gestão pública, com instituições fortes que promovam o empoderamento das mulheres para garantir avanços e impedir retrocessos. Parabéns a todas as mulheres neste dia.


Flávio Lauria

Dia Internacional da Mulher: há o que comemorar?

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Já fiz alguns artigos homenageando o Dia Internacional da Mulher, às vezes pela coincidência da data, outras antecipando a homenagem, escrevendo até sobre o feminicídio. O que comemorar? Muito, podemos dizer, se compararmos a evolução da presença feminina na sociedade como um todo. Pouco, pode-se observar, se decidirmos analisar a presença das mulheres na política em nosso estado.

Apesar de alguns avanços notáveis, como o fato de hoje as mulheres poderem ocupar 30% das vagas destinadas aos partidos nas eleições – coisa que vigora para todo o País, diga-se de passagem – é difícil imaginar quando as mulheres vão poder dividir com os homens os cargos públicos, na real proporção da participação feminina na sociedade – mais de 50% do eleitorado. Basta recorrermos à ponta do lápis.

 

Foto:Reprodução/Shutterstock

 

Nas últimas eleições, as mulheres só conseguiram ocupar uma das 8 vagas de deputados federais do estado, com a vitória de Conceição Sampaio. Temos apenas uma mulher dos vinte e quatro deputados na Assembleia Legislativa, Alessandra Campelo, e uma Senadora, Vanessa Grazziotin. Na Câmara Municipal é pior a estatística, dos quarenta e um vereadores, somente quatro são mulheres. Em alguns casos experimentamos retrocesso. Também nos cargos de relevância do Estado, ambiente propício para o surgimento de candidaturas, temos poucas mulheres exercendo cargos de direção. Nunca elegemos uma mulher prefeita de capital. Muito menos uma governadora. Sinal dos tempos? Pode ser. Os quadros políticos no Brasil, e o Amazonas não é diferente, ainda se formam, em percentual elevado, no ambiente familiar e dificilmente um pai aposta em uma mulher na vida pública se tem um filho que possa lançar primeiro.

Se no próprio ambiente familiar é assim, como a sociedade vai reagir diferente? Seria o exagerado machismo o culpado por tudo isso? Novamente só um estudo sociológico para responder mas, sem sombra de dúvida, no dia em que a mulher depender menos do âmbito familiar para chegar à política, vai andar com muito mais celeridade e confiança. Exemplos em outros Estados já se tem de sobra e no mundo eles se multiplicam a cada dia, embora elas só comandem quatorze países no mundo. Na Alemanha, a primeira-ministra é uma mulher, Ângela Merkel, na Jamaica Portia Simpson-Miller, Michelle Bachelet comanda o Chile. Na Noruega Erna Solberg. No passado

A situação no Brasil exige a criação de políticas transversais no mais alto nível da gestão pública, com instituições fortes que promovam o empoderamento das mulheres para garantir avanços e impedir retrocessos. Parabéns a todas as mulheres neste dia.

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