Flávio Lauria

Corte contaminada

Lamentavelmente, estamos perdidos – ainda que remediavelmente, esperemos


Foto: Reprodução/Shutterstock
 

Estranhamente, cala-se, de modo ensurdecedor, o Poder Judiciário brasileiro. Há mais de quatro meses desfilam nos principais jornais, rádios e televisões do País denúncias e comprovações de corrupção, as mais variadas e sortidas ramificações em inúmeros e diferentes segmentos da nossa sociedade.

O que houve no TSE é para que a história nunca esqueça. Toda a nossa corte está contaminada de cinismos, omissões, mentiras e o silêncio inexplicável do mais alto poder de justiça nos espanta. Salvo manifestação em concessões de habeas corpus a bandidos de colarinhos brancos, para que os mesmos, de caras lavadas, gozem das caras sérias de todo brasileiro.

Lamentavelmente, estamos perdidos – ainda que remediavelmente, esperemos. É mensalão em todos os cantos e recantos de nossos poderes – imaginem em outras paragens. É no Executivo, Legislativo e, esperamos, seja dado um sacolejo também no Judiciário. Cadê a abertura da caixa-preta? O que ocorreu no nosso Supremo Tribunal Federal quando do episódio da aprovação da taxação dos inativos, fechando aquela maldita Reforma da Previdência?

Os velhinhos aposentados do Brasil inteiro estavam convictos de que teriam a proteção mais do que justíssima do STF – último patamar de esperança de todo cidadão, principalmente o marginalizado. No entanto, coitados, qual nada. Somente comemoraram até quando o placar marcava quatro votos contra a taxação e apenas um a favor. Um ministro pediu vistas do processo e o levou debaixo do braço. De repente, não mais que repentinamente, Patere legem quam facisti (Respeite a lei que fizeste). Esquisito, não?

E logo se trancaram aqueles sete vestais na mais precisa eutanásia da coragem e personalidade reinantes em suas vidas, gerando para todo povo brasileiro um arrepiante descrédito naquele Poder e, como sequela, um desabonador silêncio para a Nação. Nunca o silêncio dos inocentes, pelo amor de Deus, mas aquele mistificado como resguardo comum a detentores de caras lisas. É bom nem imaginar que o tal mensalão da compra de votos e favores criado nas tapadeiras do PT e nas ante-salas do Planalto possa ter atingido as barbas daquela imponente e respeitável instituição. Ou chegaremos ao fundo do poço.

E agora? Tem bububu no bobobó também em tudo que é órgão oficial, empresas estatais – economia mista ou fundação, enfim, atingindo todas as veias sociais, populares, sim sinhô. Estoura a crise de safadagem no futebol, especificamente no setor de arbitragem. Quadrilhas de apostadores, eletrônicos ou virtuais, cibernéticos ou robotizados, pouco importa. Juízes comprados para mudar resultados de jogos, fazendo a torcida de boba, jogadores de corpos-moles, técnicos burros e pior, jogando toda a classe de árbitros à galhofa pública e, de agora em diante, passiva da mínima fiscalização. Embora, é bom lembrar, que essa tal compra de juízes de futebol vem de muito tempo atrás.

Dizem os mais velhos – experientes dirigentes de clubes – que essa prática é antiga e os autores eram os próprios dirigentes e até presidentes de federações em ações às vezes comuns aos seus interesses. Por que os clubes do Norte e Nordeste nunca tiveram vez frente aos congêneres do Sul e Sudeste nas decisões nacionais? A verdade é que a gatunagem é incrível no nosso solo pátrio e a corte brasileira está encurralada. E, quase esqueço, quanto ao nosso Gilmar... Este é de todos os Ramos.


Flávio Lauria

Corte contaminada

Lamentavelmente, estamos perdidos – ainda que remediavelmente, esperemos

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Foto: Reprodução/Shutterstock
 

Estranhamente, cala-se, de modo ensurdecedor, o Poder Judiciário brasileiro. Há mais de quatro meses desfilam nos principais jornais, rádios e televisões do País denúncias e comprovações de corrupção, as mais variadas e sortidas ramificações em inúmeros e diferentes segmentos da nossa sociedade.

O que houve no TSE é para que a história nunca esqueça. Toda a nossa corte está contaminada de cinismos, omissões, mentiras e o silêncio inexplicável do mais alto poder de justiça nos espanta. Salvo manifestação em concessões de habeas corpus a bandidos de colarinhos brancos, para que os mesmos, de caras lavadas, gozem das caras sérias de todo brasileiro.

Lamentavelmente, estamos perdidos – ainda que remediavelmente, esperemos. É mensalão em todos os cantos e recantos de nossos poderes – imaginem em outras paragens. É no Executivo, Legislativo e, esperamos, seja dado um sacolejo também no Judiciário. Cadê a abertura da caixa-preta? O que ocorreu no nosso Supremo Tribunal Federal quando do episódio da aprovação da taxação dos inativos, fechando aquela maldita Reforma da Previdência?

Os velhinhos aposentados do Brasil inteiro estavam convictos de que teriam a proteção mais do que justíssima do STF – último patamar de esperança de todo cidadão, principalmente o marginalizado. No entanto, coitados, qual nada. Somente comemoraram até quando o placar marcava quatro votos contra a taxação e apenas um a favor. Um ministro pediu vistas do processo e o levou debaixo do braço. De repente, não mais que repentinamente, Patere legem quam facisti (Respeite a lei que fizeste). Esquisito, não?

E logo se trancaram aqueles sete vestais na mais precisa eutanásia da coragem e personalidade reinantes em suas vidas, gerando para todo povo brasileiro um arrepiante descrédito naquele Poder e, como sequela, um desabonador silêncio para a Nação. Nunca o silêncio dos inocentes, pelo amor de Deus, mas aquele mistificado como resguardo comum a detentores de caras lisas. É bom nem imaginar que o tal mensalão da compra de votos e favores criado nas tapadeiras do PT e nas ante-salas do Planalto possa ter atingido as barbas daquela imponente e respeitável instituição. Ou chegaremos ao fundo do poço.

E agora? Tem bububu no bobobó também em tudo que é órgão oficial, empresas estatais – economia mista ou fundação, enfim, atingindo todas as veias sociais, populares, sim sinhô. Estoura a crise de safadagem no futebol, especificamente no setor de arbitragem. Quadrilhas de apostadores, eletrônicos ou virtuais, cibernéticos ou robotizados, pouco importa. Juízes comprados para mudar resultados de jogos, fazendo a torcida de boba, jogadores de corpos-moles, técnicos burros e pior, jogando toda a classe de árbitros à galhofa pública e, de agora em diante, passiva da mínima fiscalização. Embora, é bom lembrar, que essa tal compra de juízes de futebol vem de muito tempo atrás.

Dizem os mais velhos – experientes dirigentes de clubes – que essa prática é antiga e os autores eram os próprios dirigentes e até presidentes de federações em ações às vezes comuns aos seus interesses. Por que os clubes do Norte e Nordeste nunca tiveram vez frente aos congêneres do Sul e Sudeste nas decisões nacionais? A verdade é que a gatunagem é incrível no nosso solo pátrio e a corte brasileira está encurralada. E, quase esqueço, quanto ao nosso Gilmar... Este é de todos os Ramos.

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