Flávio Lauria

Chiqueiro

lauriaferreira@hotmail.com


Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Parece brincadeira, mas o que aconteceu ontem no Senado da República com as senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Souza (PT-PI) ocupando por mais de cinco horas a Mesa do plenário do Senado, sendo o Presidente do Senado obrigado a desligar as luzes e os microfones.

Há algum tempo, a revista inglesa The Economist, com ampla circulação mundial, publicou matéria em que classificava o Congresso brasileiro de “chiqueiro”, lembrando que as duas casas do Poder Legislativo estão tão desmoralizadas que imaginar que os parlamentares votarão reforma política é o mesmo que atribuir aos perus, no Natal, a administração de seus pescoços. Claro que deputados e senadores se sentiram profundamente insultados, embora devessem estar acostumados, já que o assunto é tratado diariamente pela imprensa nacional.

As pesquisas de opinião revelam o que pensa o povo brasileiro sobre o Congresso, e a imprensa não esconde nada, mesmo tendo que conviver com a sucessão de escândalos que insistem em confundir o país com uma cloaca.

Diante do insulto da revista inglesa, os congressistas têm duas alternativas: desafiar o jornalista para um duelo ou romper relações diplomáticas com a Inglaterra. Como nada disso, naturalmente, não será feito, talvez eles possam aproveitar a dura metáfora e admitir que deram inúmeros motivos para a redação de matéria tão áspera e tão feroz. Na verdade, o que a revista inglesa fez, refletindo a imprensa brasileira, foi mostrar que o Congresso não cumpre seu papel como deveria.

A publicação levou ao mundo inteiro a triste e lamentável imagem de corrupção que prospera entre os congressistas e que toda as semanas se repete, seja na predação de recursos públicos, seja no escandaloso desvio de verbas que deveriam atender as necessidades de hospitais e escolas, além de ambulâncias e merenda escolar.

Como não há limites para a imoralidade pública, os congressistas passam os dias a se explicar, prejudicando sensivelmente a confiança do povo nas instituições. Pode-se dizer que The Economist poderia cuidar, com igual fervor, do Congresso britânico, mas até nisso os senadores e deputados brasileiros estariam equivocados, já que Parlamento inglês foi literalmente devassado pela revista e por todos os tabloides que circulam no país.

Nada lhes escapa, de escândalos sexuais e ocorrências medonhas de pedofilia, passando por desvios de recursos públicos. Como se vê, competência para mexer em pântanos não lhe falta. A revista está certa de que os congressistas brasileiros não farão qualquer reforma política, para não perder privilégios. A verdade é que o Congresso está desmoralizado e só se recuperará quando o Orçamento da União for deixado de lado e se der prioridade aos recursos da educação, dos aposentados e pensionistas, das grandes causas sociais e da precária e revoltante infraestrutura que se transforma em gargalo para o desenvolvimento do conjunto da economia.

Há uma guerra civil  diária nas ruas do Rio de Janeiro e na periferia de São Paulo, que domina o imaginário brasileiro e que alguns jornais, com ou sem maldade, dizem ser manifestação da população diante dos exemplos que vêm de Brasília. Assim, o Congresso, que não funciona como deveria, dá sua generosa contribuição para que o noticiário seja quase todo sobre criminalidade.


Flávio Lauria

Chiqueiro

lauriaferreira@hotmail.com


Foto:Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Parece brincadeira, mas o que aconteceu ontem no Senado da República com as senadoras Gleisi Hoffmann (PT-PR), Vanessa Grazziotin (PcdoB-AM), Fátima Bezerra (PT-RN) e Regina Souza (PT-PI) ocupando por mais de cinco horas a Mesa do plenário do Senado, sendo o Presidente do Senado obrigado a desligar as luzes e os microfones.

Há algum tempo, a revista inglesa The Economist, com ampla circulação mundial, publicou matéria em que classificava o Congresso brasileiro de “chiqueiro”, lembrando que as duas casas do Poder Legislativo estão tão desmoralizadas que imaginar que os parlamentares votarão reforma política é o mesmo que atribuir aos perus, no Natal, a administração de seus pescoços. Claro que deputados e senadores se sentiram profundamente insultados, embora devessem estar acostumados, já que o assunto é tratado diariamente pela imprensa nacional.

As pesquisas de opinião revelam o que pensa o povo brasileiro sobre o Congresso, e a imprensa não esconde nada, mesmo tendo que conviver com a sucessão de escândalos que insistem em confundir o país com uma cloaca.

Diante do insulto da revista inglesa, os congressistas têm duas alternativas: desafiar o jornalista para um duelo ou romper relações diplomáticas com a Inglaterra. Como nada disso, naturalmente, não será feito, talvez eles possam aproveitar a dura metáfora e admitir que deram inúmeros motivos para a redação de matéria tão áspera e tão feroz. Na verdade, o que a revista inglesa fez, refletindo a imprensa brasileira, foi mostrar que o Congresso não cumpre seu papel como deveria.

A publicação levou ao mundo inteiro a triste e lamentável imagem de corrupção que prospera entre os congressistas e que toda as semanas se repete, seja na predação de recursos públicos, seja no escandaloso desvio de verbas que deveriam atender as necessidades de hospitais e escolas, além de ambulâncias e merenda escolar.

Como não há limites para a imoralidade pública, os congressistas passam os dias a se explicar, prejudicando sensivelmente a confiança do povo nas instituições. Pode-se dizer que The Economist poderia cuidar, com igual fervor, do Congresso britânico, mas até nisso os senadores e deputados brasileiros estariam equivocados, já que Parlamento inglês foi literalmente devassado pela revista e por todos os tabloides que circulam no país.

Nada lhes escapa, de escândalos sexuais e ocorrências medonhas de pedofilia, passando por desvios de recursos públicos. Como se vê, competência para mexer em pântanos não lhe falta. A revista está certa de que os congressistas brasileiros não farão qualquer reforma política, para não perder privilégios. A verdade é que o Congresso está desmoralizado e só se recuperará quando o Orçamento da União for deixado de lado e se der prioridade aos recursos da educação, dos aposentados e pensionistas, das grandes causas sociais e da precária e revoltante infraestrutura que se transforma em gargalo para o desenvolvimento do conjunto da economia.

Há uma guerra civil  diária nas ruas do Rio de Janeiro e na periferia de São Paulo, que domina o imaginário brasileiro e que alguns jornais, com ou sem maldade, dizem ser manifestação da população diante dos exemplos que vêm de Brasília. Assim, o Congresso, que não funciona como deveria, dá sua generosa contribuição para que o noticiário seja quase todo sobre criminalidade.

TAG