Flávio Lauria

Acomodados e esperançosos

Flávio Lauria

lauria@osite.com.br


O escritor Artur da Távola lembra que o brasileiro traduz o resultado da mistura de acomodação com esperança. Os ingredientes que compõem a alma nacional já foram decantados em prosa e verso, constituindo-se uma permanente característica de nosso povo. Em princípio, não devemos lastimar nosso espírito pacífico e nem a vocação para a esperança. Decorrentes de herança cultural e da indecisão em construir o verdadeiro destino da Nação. Avaliar as contradições existentes parecer ser o melhor caminho para um dia poder superá-las.

Em contrapartida, possuímos o privilégio de ser um povo alegre. Uma capacidade imensa de esquecer problemas e de vivenciar as sugestões do momento, colocando em segundo plano as angústias permanentes e os desafios que nos aguardam. Prevalecem as lições da sabedoria - procurar desfrutar dos ocasionais motivos de alegrias e das boas emoções que acontecem sem avisos. Despertando em cada um a arte e a consciência de que tudo passa e o tempo apaga todos os fugidios valores. Já se tornou didática a recomendação de que sem o autoengano a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Daí a necessidade de se criar sempre ilusões. Os realistas enxergam a gravidade dos fatos, medem as angústias e se desesperam pela falta das soluções.

As ações do governo decepcionam a população. Fabricam mentiras, exigem sacrifícios e deixam de fazer a sua parte. Menosprezam o entendimento da sociedade e contam com a certeza de que logo as injustiças serão esquecidas.

Superadas por novos assuntos ou pelas novas tragédias. A imoralidade do teto salarial que permite a acumulação de altos vencimentos estabelece privilégios inaceitáveis. Agride o imenso contingente de funcionários e trabalhadores que amargam um período de cinco anos, de dificuldades e congelamento de salários. O valor do salário mínimo não desperta nas autoridades o mesmo ânimo de interesse. O Ministério da Previdência expõe reflexos em seu orçamento.

No entanto, o INSS não declara que paga apenas parcialmente a maioria das aposentadorias, não obedecendo à proporção do teto das contribuições recolhidas. O escritor Antônio Maria legendariamente registrou - brasileiro, profissão esperança. Os detentores do poder exploram a boa fé dos cidadãos e acham que tudo podem fazer e enganar. Inclusive a condenável manipulação das verbas públicas.

O governo atua fortemente para não atualizar o salário do trabalhador nem recuperar as perdas dos vencimentos do funcionalismo. Mas, não penaliza as ambições das lideranças políticas que desviam recursos e desfalcam o patrimônio moral da Nação.

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Acomodados e esperançosos

Flávio Lauria

lauria@osite.com.br


O escritor Artur da Távola lembra que o brasileiro traduz o resultado da mistura de acomodação com esperança. Os ingredientes que compõem a alma nacional já foram decantados em prosa e verso, constituindo-se uma permanente característica de nosso povo. Em princípio, não devemos lastimar nosso espírito pacífico e nem a vocação para a esperança. Decorrentes de herança cultural e da indecisão em construir o verdadeiro destino da Nação. Avaliar as contradições existentes parecer ser o melhor caminho para um dia poder superá-las.

Em contrapartida, possuímos o privilégio de ser um povo alegre. Uma capacidade imensa de esquecer problemas e de vivenciar as sugestões do momento, colocando em segundo plano as angústias permanentes e os desafios que nos aguardam. Prevalecem as lições da sabedoria - procurar desfrutar dos ocasionais motivos de alegrias e das boas emoções que acontecem sem avisos. Despertando em cada um a arte e a consciência de que tudo passa e o tempo apaga todos os fugidios valores. Já se tornou didática a recomendação de que sem o autoengano a vida seria excessivamente dolorosa e desprovida de encanto. Daí a necessidade de se criar sempre ilusões. Os realistas enxergam a gravidade dos fatos, medem as angústias e se desesperam pela falta das soluções.

As ações do governo decepcionam a população. Fabricam mentiras, exigem sacrifícios e deixam de fazer a sua parte. Menosprezam o entendimento da sociedade e contam com a certeza de que logo as injustiças serão esquecidas.

Superadas por novos assuntos ou pelas novas tragédias. A imoralidade do teto salarial que permite a acumulação de altos vencimentos estabelece privilégios inaceitáveis. Agride o imenso contingente de funcionários e trabalhadores que amargam um período de cinco anos, de dificuldades e congelamento de salários. O valor do salário mínimo não desperta nas autoridades o mesmo ânimo de interesse. O Ministério da Previdência expõe reflexos em seu orçamento.

No entanto, o INSS não declara que paga apenas parcialmente a maioria das aposentadorias, não obedecendo à proporção do teto das contribuições recolhidas. O escritor Antônio Maria legendariamente registrou - brasileiro, profissão esperança. Os detentores do poder exploram a boa fé dos cidadãos e acham que tudo podem fazer e enganar. Inclusive a condenável manipulação das verbas públicas.

O governo atua fortemente para não atualizar o salário do trabalhador nem recuperar as perdas dos vencimentos do funcionalismo. Mas, não penaliza as ambições das lideranças políticas que desviam recursos e desfalcam o patrimônio moral da Nação.

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