Flávio Lauria

A vida é um sopro


Foto:Reprodução/Shutterstock

 

 

Este ano que ainda não findou, tive a tristeza de perder alguns amigos, e aí fico me perguntando o que é a morte, mesmo com ideias e conhecimento espirituais, e chego a conclusão que a morte nada mais é do que uma passagem. A passagem de um mundo que conhecemos bem, para outro totalmente desconhecido. E, por isso, amedronta e traz dor...


 

Essa era a sensação de dois fetos gêmeos dentro do útero da mãe, que percebiam que chegava a hora de nascer. Um perguntou ao outro: E aí, você acredita na vida após o parto? E o irmão respondeu: Não, ninguém voltou para contar. Nascer, para eles, seria passar de um mundo conhecido para o desconhecido... Aquele mundo imenso fora dos limites do útero materno. Quantas vezes nós também olhamos para a nossa vida com a mesma limitação? Pois igual aos fetos, cremos que o mundo se reduz ao que conhecemos, ao que nos parece familiar, ao que podemos perceber com os nossos sentidos. Os dois gêmeos, estavam familiarizados com o quentinho da bolsa, as batidas do coração da mãe e o alimento que chegavam fácil por um tubo... Assustados, conversavam sobre aquele momento traumático. Como seria o mundo lá fora? Escuro? Frio? Ameaçador? Estavam prestes a ser expelidos daquela penumbra repousante para um mundo de luz, cores, cheiros e ruídos... 

 

 

Eles sentiam medo de sair dali... As contrações começaram, o mundo em torno se fechava e eles estavam sendo forçados de lá para fora. Ao nascer, o impacto dos pulmões se enchendo de ar pela primeira vez causou um impacto tão violento que até a memória da vida intrauterina se extinguiu... E o que eles tinham à frente era nada mais do que a vida... A vida num mundo, até então desconhecido onde eles iriam crescer, se formar, ter descendentes, envelhecer e novamente se preparar para uma nova passagem... 

 

 

Por isso, os monges beneditinos jamais falam de morte e sim de passagem. Passamos por esta vida, como um grande presente de amor que deus nos deu... Nosso nascimento, "o nascimento desses fetos", certamente trará muita felicidade e amor aos seus pais e, vendo assim, como uma passagem, podemos imaginar que o que nos espera, na outra etapa, na outra passagem... É algo muito melhor. 

Nada mais natural que a morte! Às vezes fazemos a passagem muito jovens, não mais velhos, aliás velho e velhice são palavras de conteúdo e peso psicológico terríveis, sobre a mente humana, em particular do idoso que se acostumou a vê-la, ouvir e chegar. Envelhecido e sem condições físicas de desfrutar na sua totalidade da recompensa, já se considera velho, e essa velhice cria-lhe problemas diuturnos e crescentes. 

 

 

Outro dia fui abordado por um amigo de longas datas, com esta pergunta: Você se considera um velho? Pasmei por alguns instantes e o respondi que não, visto que a vida é linda e a velhice não é coisa inesperada é o resultado das mais diversas fases da sua existência desde o nascimento, crescimento, até chegar à idade adulta, mesmo se notando na nossa face, todas as manhãs, sinais inexoráveis da marcha do tempo refletido através de um espelho. 

 

 

 

O tempo passa pela ação deletéria a partir de certa idade. O efeito é o encurtamento da existência a não ser que medidas preventivas sejam tomadas, se não para evitar tal desfecho, pelo menos para ampliar a expectativa de vida. E, tenho certeza que um dia todos nos encontraremos: a vida é um mistério maravilhoso! Mas continuo com meu velho jargão: A vida é um sopro.


Flávio Lauria

A vida é um sopro

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


Foto:Reprodução/Shutterstock

 

 

Este ano que ainda não findou, tive a tristeza de perder alguns amigos, e aí fico me perguntando o que é a morte, mesmo com ideias e conhecimento espirituais, e chego a conclusão que a morte nada mais é do que uma passagem. A passagem de um mundo que conhecemos bem, para outro totalmente desconhecido. E, por isso, amedronta e traz dor...


 

Essa era a sensação de dois fetos gêmeos dentro do útero da mãe, que percebiam que chegava a hora de nascer. Um perguntou ao outro: E aí, você acredita na vida após o parto? E o irmão respondeu: Não, ninguém voltou para contar. Nascer, para eles, seria passar de um mundo conhecido para o desconhecido... Aquele mundo imenso fora dos limites do útero materno. Quantas vezes nós também olhamos para a nossa vida com a mesma limitação? Pois igual aos fetos, cremos que o mundo se reduz ao que conhecemos, ao que nos parece familiar, ao que podemos perceber com os nossos sentidos. Os dois gêmeos, estavam familiarizados com o quentinho da bolsa, as batidas do coração da mãe e o alimento que chegavam fácil por um tubo... Assustados, conversavam sobre aquele momento traumático. Como seria o mundo lá fora? Escuro? Frio? Ameaçador? Estavam prestes a ser expelidos daquela penumbra repousante para um mundo de luz, cores, cheiros e ruídos... 

 

 

Eles sentiam medo de sair dali... As contrações começaram, o mundo em torno se fechava e eles estavam sendo forçados de lá para fora. Ao nascer, o impacto dos pulmões se enchendo de ar pela primeira vez causou um impacto tão violento que até a memória da vida intrauterina se extinguiu... E o que eles tinham à frente era nada mais do que a vida... A vida num mundo, até então desconhecido onde eles iriam crescer, se formar, ter descendentes, envelhecer e novamente se preparar para uma nova passagem... 

 

 

Por isso, os monges beneditinos jamais falam de morte e sim de passagem. Passamos por esta vida, como um grande presente de amor que deus nos deu... Nosso nascimento, "o nascimento desses fetos", certamente trará muita felicidade e amor aos seus pais e, vendo assim, como uma passagem, podemos imaginar que o que nos espera, na outra etapa, na outra passagem... É algo muito melhor. 

Nada mais natural que a morte! Às vezes fazemos a passagem muito jovens, não mais velhos, aliás velho e velhice são palavras de conteúdo e peso psicológico terríveis, sobre a mente humana, em particular do idoso que se acostumou a vê-la, ouvir e chegar. Envelhecido e sem condições físicas de desfrutar na sua totalidade da recompensa, já se considera velho, e essa velhice cria-lhe problemas diuturnos e crescentes. 

 

 

Outro dia fui abordado por um amigo de longas datas, com esta pergunta: Você se considera um velho? Pasmei por alguns instantes e o respondi que não, visto que a vida é linda e a velhice não é coisa inesperada é o resultado das mais diversas fases da sua existência desde o nascimento, crescimento, até chegar à idade adulta, mesmo se notando na nossa face, todas as manhãs, sinais inexoráveis da marcha do tempo refletido através de um espelho. 

 

 

 

O tempo passa pela ação deletéria a partir de certa idade. O efeito é o encurtamento da existência a não ser que medidas preventivas sejam tomadas, se não para evitar tal desfecho, pelo menos para ampliar a expectativa de vida. E, tenho certeza que um dia todos nos encontraremos: a vida é um mistério maravilhoso! Mas continuo com meu velho jargão: A vida é um sopro.

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