Flávio Lauria

A extinção dos políticos


 

Foto:Reprodução/Shutterstock

 

Caros leitores e leitoras, bem que eu queria continuar com meus artigos falando sobre a vida e sobre as relações interpessoais, mas os políticos não querem e não deixam.

 

O mar de lama que se instalou nos gabinetes e a política, tomada em significado de governo, direção e administração do poder público, sob a forma do estado, faliu, tornou-se sem sentido, não funciona mais. No Brasil e no mundo. O bem comum embutido na palavra logrou o fracasso. O homem não aprende muito com a história. Todos os regimes políticos tornaram-se arremedo de sua invenção grega original. Uma falácia em nome da isonomia democrática, da tal politika praticada por homens sem ética, res publica em causa própria.

 

O estado de miséria decorre das políticas públicas; os políticos alimentam-se de pobres. O poder que emana do povo é contra o povo: com a classe política, nenhum problema é resolvido. A sacralização dos políticos resulta de sua contraditoriedade: elege-se político para nada. Pela Constituição, os políticos são legisladores. Nenhuma lei, porém, se lhes corta privilégios.

 

Ao longo dos séculos, política deixou de ser um valor e de ter um sentido para a vida humana. Desde a Idade do Ouro, quando os homens começaram a se organizar socialmente, à pós-modernidade, a política é responsável pelo fato de a humanidade ser infeliz. Em nome da lei, do estado ou de Deus, tudo é permitido e permissivo.

 

A política é um castigo como o mito de Prometeu. Ela opõe-se por conveniência a todos os conceitos de decência, seja pela injustiça comunitária, pelo lastro irrefutável da corrupção, ou em oposição à virtude oriunda da Themis – lei divina incidente no universo, a physis, a ordem do mundo, ou nomos e a dike – justiça entre os homens e as coisas. O caos é político. A crise é política. A esculhambação é política. Todo corpo de leis reconhecido tem origem política, portanto, não funciona. A política é um presente grego.

 

A política, além de corromper, mente, rouba, deturpa, mata e nunca, mas nunca mesmo muda para melhor a situação social e econômica. É razoável questionar por que então manter-se a classe política? Quem afirma serem necessários 570 deputados? Os políticos. E se a classe política desse um tempo? Deixasse de existir por pelo menos uma década e permitisse à sociedade se organizar em torno de um novo paradigma que não tivesse o vírus da política nem dos políticos?

 

Quem pode afirmar que não, se nada foi tentado? E se os políticos não fossem mais escolhidos pelo voto, mas pelo veto e durante o (longo, espera-se) período de hibernação, lhes fosse imposta uma radical reciclagem que incluísse o fim de todos os seus privilégios, como salários altos, imunidade parlamentar, nepotismo, pagamento de despesas extras? Sem relevar números ao pé da letra, e se em vez de 570 fossem apenas 135, uma média de cinco por estado? O mundo, o Brasil está a exigir um novo modelo político. O que acontece atualmente no País, ainda que haja precedentes planetários, é indigno, mas tem de servir para promover mudanças.


Flávio Lauria

A extinção dos políticos

Flávio Lauria

lauriaferreira@hotmail.com


 

Foto:Reprodução/Shutterstock

 

Caros leitores e leitoras, bem que eu queria continuar com meus artigos falando sobre a vida e sobre as relações interpessoais, mas os políticos não querem e não deixam.

 

O mar de lama que se instalou nos gabinetes e a política, tomada em significado de governo, direção e administração do poder público, sob a forma do estado, faliu, tornou-se sem sentido, não funciona mais. No Brasil e no mundo. O bem comum embutido na palavra logrou o fracasso. O homem não aprende muito com a história. Todos os regimes políticos tornaram-se arremedo de sua invenção grega original. Uma falácia em nome da isonomia democrática, da tal politika praticada por homens sem ética, res publica em causa própria.

 

O estado de miséria decorre das políticas públicas; os políticos alimentam-se de pobres. O poder que emana do povo é contra o povo: com a classe política, nenhum problema é resolvido. A sacralização dos políticos resulta de sua contraditoriedade: elege-se político para nada. Pela Constituição, os políticos são legisladores. Nenhuma lei, porém, se lhes corta privilégios.

 

Ao longo dos séculos, política deixou de ser um valor e de ter um sentido para a vida humana. Desde a Idade do Ouro, quando os homens começaram a se organizar socialmente, à pós-modernidade, a política é responsável pelo fato de a humanidade ser infeliz. Em nome da lei, do estado ou de Deus, tudo é permitido e permissivo.

 

A política é um castigo como o mito de Prometeu. Ela opõe-se por conveniência a todos os conceitos de decência, seja pela injustiça comunitária, pelo lastro irrefutável da corrupção, ou em oposição à virtude oriunda da Themis – lei divina incidente no universo, a physis, a ordem do mundo, ou nomos e a dike – justiça entre os homens e as coisas. O caos é político. A crise é política. A esculhambação é política. Todo corpo de leis reconhecido tem origem política, portanto, não funciona. A política é um presente grego.

 

A política, além de corromper, mente, rouba, deturpa, mata e nunca, mas nunca mesmo muda para melhor a situação social e econômica. É razoável questionar por que então manter-se a classe política? Quem afirma serem necessários 570 deputados? Os políticos. E se a classe política desse um tempo? Deixasse de existir por pelo menos uma década e permitisse à sociedade se organizar em torno de um novo paradigma que não tivesse o vírus da política nem dos políticos?

 

Quem pode afirmar que não, se nada foi tentado? E se os políticos não fossem mais escolhidos pelo voto, mas pelo veto e durante o (longo, espera-se) período de hibernação, lhes fosse imposta uma radical reciclagem que incluísse o fim de todos os seus privilégios, como salários altos, imunidade parlamentar, nepotismo, pagamento de despesas extras? Sem relevar números ao pé da letra, e se em vez de 570 fossem apenas 135, uma média de cinco por estado? O mundo, o Brasil está a exigir um novo modelo político. O que acontece atualmente no País, ainda que haja precedentes planetários, é indigno, mas tem de servir para promover mudanças.

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