Flavio Guimarães

O futuro que nos espera

"Uma expressão tem aterrorizado muitos profissionais no século da tecnologia e da inclusão digital: profissões que deixarão de existir daqui a alguns anos"

Flávio Guimarães*

flavioguimaraesjr@hotmail.com


Uma expressão tem aterrorizado muitos profissionais no século da tecnologia e da inclusão digital: profissões que deixarão de existir daqui a alguns anos. O terror é uma imagem criada pelas tantas divulgações que vemos ocorrendo em mídias sociais, panfletos e outros. Contrário disso, o conceito que precisamos ter em tempos de mudanças é que profissões não vão deixar de existir, mas sim, se transformarem.

De tempos em tempos, presenciamos mudanças nos cenários empresariais e de mercado de trabalho em diversos aspectos. Há 60 anos atrás, víamos uma grande evolução em relação a novos métodos de produção: quem produzia mais, tinha uma competitividade maior em relação a seus concorrentes. Assim, criava-se estoques abarrotados, produtos ultrapassados, compras excessivas de matérias-primas, rombos financeiros, e assim por diante. Mais alguns anos na frente, vivemos um momento de que quem tinha mais máquinas, tinha a melhor imagem e competitividade. Assim, criava-se muitas dívidas e um excesso de consumo de combustíveis, matérias-primas, recursos humanos e outros. Após esses dois períodos específicos, passamos a notar que ações começaram a ser planejadas para ajustar esses pontos excessivos e que levavam as empresas a terem muitas perdas financeiras.
 
 
Foto: Arquivo/Rede Amazônica
 
Com novos sistemas de automatização, o desafio se transformou: quem tinha mais competitividade era quem tinha processos mais ajustados e enxutos, sem desperdícios de recursos humanos e financeiros. E assim, a cada dia que passa vemos um novo plano de ação ser executado para ajustar mais ainda o mundo organizacional. É claro que temos algumas consequências disso: a troca da mão-de-obra pela mão automatizada.

Ao mesmo tempo que vivenciamos a substituição do fator humano pelo fator tecnológico, criamos uma outra análise que vai ao caminho inverso do que sempre ouvimos falar. A máquina vai tomar muitos espaços de trabalhadores e trabalhadoras? Sim, sem dúvida. No entanto, quem vai criar essas máquinas? Quem vai construí-las? Quem vai programá-las? Quem vai aplicar as manutenções preventivas e corretivas? Quem vai projetá-las com desenhos mecânicos e técnicos? Quem vai vendê-las? Quem vai estudar novos métodos de criar novas máquinas, mais eficientes e que gerem mais resultados positivos para o mercado? A resposta é: nós. Simplesmente nós.

O caixa que opera a contagem de dinheiro e pagamentos, agora poderá fazer tudo isso. O frentista que abastece os automóveis, agora poderá fazer tudo isso. O motorista que leva pessoas para lá e para cá, também poderá fazer tudo isso. O garçon que serve a todos e recolhe pedidos, também. Nada se acaba, tudo se transforma.

Junto a isso, temos alguns questionamentos sobre outras áreas específicas. Por exemplo, o que acontecerá com o Assistente Administrativo? Com os softwares que lançam, interpretam, retiram, colocam, se organizam, se gerem, o que será dessa função? É simples. Teremos uma outra transformação. Hoje, o assistente administrativo que atua com lançamentos de dados, organização de documentos, digitação de textos e outras atividades relacionadas, agora deverá ter uma atividade de interpretação de dados, criação de projeção administrativo/financeiro, estudo de mercado e outros.

Um exemplo prático? A máquina não pensa, logo não consegue criar uma projeção com análise de cenário econômico que tenha como foco a evolução do comportamento de clientes, exigências de mercado e outros. Se falarmos em projeção de números, ok. Máquinas calculam e se automatizam com base nisso. Porém, a máquina não sabe estudar comportamento de clientes, de mercado e seus segmentos. Passaremos a um tempo que pegaremos tudo pronto com as máquinas e faremos as interpretações e gestão de informações e dados. Estamos no século da INFORMAÇÃO. Quem mais as tiver, mais terá possibilidade de ganhar dinheiro e alcançar o sucesso.

O nosso futuro reserva espaços para quem gerir, interpretar e criar ações, dentro de suas áreas, de acordo com as informações que estiver disponível. O tempo de automação é agora e precisamos caminhar junto.

No presente, temos visto várias empresas surgirem com atuação em serviços de data centers (gestores de informações). Além disso, haverá a necessidade de segurança desses dados, privacidade e controle contra violações de todas as naturezas. O que antes era armazenado em um local físico, com papéis impressos e documentações empilhadas, agora está sendo guardado em máquinas. Você percebe a cadeia de oportunidades que temos diante disso para a criação de vagas de Seguranças de Tecnologia de Informação, Programadores, Desenvolvedores, Executivos de Informações, Executivos de Inteligência de Mercado e tantas outras ocupações?

Ao invés da ideia de que profissões vão acabar, precisamos ir no caminho oposto, mais amplo, mais profundo: como posso incluir a tecnologia dentro da minha atual profissão? Como, no futuro e logo breve, a inclusão digital entrará na minha vida? Como devo me transformar? Sempre é possível.

*Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Articulista dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazonas, CBN Rondônia e Portal Amazônia.
 

Flavio Guimarães

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O futuro que nos espera

"Uma expressão tem aterrorizado muitos profissionais no século da tecnologia e da inclusão digital: profissões que deixarão de existir daqui a alguns anos"

Flávio Guimarães*

flavioguimaraesjr@hotmail.com


Uma expressão tem aterrorizado muitos profissionais no século da tecnologia e da inclusão digital: profissões que deixarão de existir daqui a alguns anos. O terror é uma imagem criada pelas tantas divulgações que vemos ocorrendo em mídias sociais, panfletos e outros. Contrário disso, o conceito que precisamos ter em tempos de mudanças é que profissões não vão deixar de existir, mas sim, se transformarem.

De tempos em tempos, presenciamos mudanças nos cenários empresariais e de mercado de trabalho em diversos aspectos. Há 60 anos atrás, víamos uma grande evolução em relação a novos métodos de produção: quem produzia mais, tinha uma competitividade maior em relação a seus concorrentes. Assim, criava-se estoques abarrotados, produtos ultrapassados, compras excessivas de matérias-primas, rombos financeiros, e assim por diante. Mais alguns anos na frente, vivemos um momento de que quem tinha mais máquinas, tinha a melhor imagem e competitividade. Assim, criava-se muitas dívidas e um excesso de consumo de combustíveis, matérias-primas, recursos humanos e outros. Após esses dois períodos específicos, passamos a notar que ações começaram a ser planejadas para ajustar esses pontos excessivos e que levavam as empresas a terem muitas perdas financeiras.
 
 
Foto: Arquivo/Rede Amazônica
 
Com novos sistemas de automatização, o desafio se transformou: quem tinha mais competitividade era quem tinha processos mais ajustados e enxutos, sem desperdícios de recursos humanos e financeiros. E assim, a cada dia que passa vemos um novo plano de ação ser executado para ajustar mais ainda o mundo organizacional. É claro que temos algumas consequências disso: a troca da mão-de-obra pela mão automatizada.

Ao mesmo tempo que vivenciamos a substituição do fator humano pelo fator tecnológico, criamos uma outra análise que vai ao caminho inverso do que sempre ouvimos falar. A máquina vai tomar muitos espaços de trabalhadores e trabalhadoras? Sim, sem dúvida. No entanto, quem vai criar essas máquinas? Quem vai construí-las? Quem vai programá-las? Quem vai aplicar as manutenções preventivas e corretivas? Quem vai projetá-las com desenhos mecânicos e técnicos? Quem vai vendê-las? Quem vai estudar novos métodos de criar novas máquinas, mais eficientes e que gerem mais resultados positivos para o mercado? A resposta é: nós. Simplesmente nós.

O caixa que opera a contagem de dinheiro e pagamentos, agora poderá fazer tudo isso. O frentista que abastece os automóveis, agora poderá fazer tudo isso. O motorista que leva pessoas para lá e para cá, também poderá fazer tudo isso. O garçon que serve a todos e recolhe pedidos, também. Nada se acaba, tudo se transforma.

Junto a isso, temos alguns questionamentos sobre outras áreas específicas. Por exemplo, o que acontecerá com o Assistente Administrativo? Com os softwares que lançam, interpretam, retiram, colocam, se organizam, se gerem, o que será dessa função? É simples. Teremos uma outra transformação. Hoje, o assistente administrativo que atua com lançamentos de dados, organização de documentos, digitação de textos e outras atividades relacionadas, agora deverá ter uma atividade de interpretação de dados, criação de projeção administrativo/financeiro, estudo de mercado e outros.

Um exemplo prático? A máquina não pensa, logo não consegue criar uma projeção com análise de cenário econômico que tenha como foco a evolução do comportamento de clientes, exigências de mercado e outros. Se falarmos em projeção de números, ok. Máquinas calculam e se automatizam com base nisso. Porém, a máquina não sabe estudar comportamento de clientes, de mercado e seus segmentos. Passaremos a um tempo que pegaremos tudo pronto com as máquinas e faremos as interpretações e gestão de informações e dados. Estamos no século da INFORMAÇÃO. Quem mais as tiver, mais terá possibilidade de ganhar dinheiro e alcançar o sucesso.

O nosso futuro reserva espaços para quem gerir, interpretar e criar ações, dentro de suas áreas, de acordo com as informações que estiver disponível. O tempo de automação é agora e precisamos caminhar junto.

No presente, temos visto várias empresas surgirem com atuação em serviços de data centers (gestores de informações). Além disso, haverá a necessidade de segurança desses dados, privacidade e controle contra violações de todas as naturezas. O que antes era armazenado em um local físico, com papéis impressos e documentações empilhadas, agora está sendo guardado em máquinas. Você percebe a cadeia de oportunidades que temos diante disso para a criação de vagas de Seguranças de Tecnologia de Informação, Programadores, Desenvolvedores, Executivos de Informações, Executivos de Inteligência de Mercado e tantas outras ocupações?

Ao invés da ideia de que profissões vão acabar, precisamos ir no caminho oposto, mais amplo, mais profundo: como posso incluir a tecnologia dentro da minha atual profissão? Como, no futuro e logo breve, a inclusão digital entrará na minha vida? Como devo me transformar? Sempre é possível.

*Flávio Guimarães é diretor da Guimarães Consultoria, Administrador de Empresas, Especializado em Negócios, Comportamento e Recursos Humanos, Articulista dos Jornais Bom Dia Amazônia e Jornal do Amazonas 1ª Edição, CBN Amazonas, CBN Rondônia e Portal Amazônia.
 

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