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Bruno Ferreira

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Bruno Ferreira

Comida e afetividade

"Lembranças afetivas na Gastronomia são chamadas de 'comfort food', ou seja, a comida de conforto. E confortam, porque nos remetem a momentos felizes"


Nossa comida não é somente um aglomerado de ingredientes combinados, a partir de determinadas técnicas aplicadas para seu melhor uso. Nem é unicamente a massa alimentar que nos sacia a fome, transformando-se em nutrientes, que mantém o ser vivo e a máquina humana em saudável funcionamento.

A comida é, acima de tudo, cultura. Aquilo que comemos, como comemos, quando e onde comemos é resultado de acumulações, que fazem parte da nossa história de vida, do ambiente em que estamos inseridos e das relações que estabelecemos com os outros na construção da nossa própria identidade. Um dos aspectos que torna nossa cultura perene reside nas memórias que dela guardamos e reproduzimos, seja de seus símbolos, práticas, rituais, etc.

Certo dia, li em uma rede social uma postagem sobre a despolpa do cupuaçu. De imediato, fui remetido às lembranças de minha avó, tirando, com uma tesoura antiga, a polpa de um cupuaçu imenso, que dali nos serviria para sucos, cremes ou doces. Lembro ainda que, ao final do trabalho, ela salpicava os caroços com açúcar, para que pudéssemos continuar a chupá-los.

Estas lembranças afetivas na Gastronomia são chamadas de “comfort food” ou seja, a comida de conforto. E confortam porque nos remetem a momentos felizes, nostálgicos, significativos de tempos de alegria, como uma infância bem vivida, por exemplo. A dimensão da afetividade eleva o patamar de importância que a comida já possui: ela é um elemento de prazer, de deleite e de ligação social e familiar.

Quais são nossas memórias cheias de amor, ligadas à comida: lamber a tigela de massa de bolo ainda cru? A água que lava o restinho de açaí da vasilha e que não nos deixa ter azia? O bolinho de farinha com açúcar e canela, que comíamos em dia de chuva? A pupunha com café no final da tarde? O caribé quentinho que tomávamos ao adoecer? O capitão de arroz e feijão que ajudava a terminar a comida no prato?

Que as memórias felizes que guardamos nos possibilitem respeitar o alimento e seu espaço nas nossas vidas, para que o ritmo veloz da modernidade não apague o prazer de comer juntos e além disso, privilegiar tudo aquilo que nos dá saúde e valorizar quem tão devotadamente o produz.

Comamos e sejamos felizes!

Para saber mais, sugiro a leitura do artigo “Comfort food: sobre conceitos e principais características”, disponível no endereço: http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistacontextos/wp-content/uploads/2016/03/72_CA_artigo_revisado.pdf
 

Comida e afetividade

"Lembranças afetivas na Gastronomia são chamadas de 'comfort food', ou seja, a comida de conforto. E confortam, porque nos remetem a momentos felizes"

Bruno Ferreira

brunoferreira493@gmail.com


Nossa comida não é somente um aglomerado de ingredientes combinados, a partir de determinadas técnicas aplicadas para seu melhor uso. Nem é unicamente a massa alimentar que nos sacia a fome, transformando-se em nutrientes, que mantém o ser vivo e a máquina humana em saudável funcionamento.

A comida é, acima de tudo, cultura. Aquilo que comemos, como comemos, quando e onde comemos é resultado de acumulações, que fazem parte da nossa história de vida, do ambiente em que estamos inseridos e das relações que estabelecemos com os outros na construção da nossa própria identidade. Um dos aspectos que torna nossa cultura perene reside nas memórias que dela guardamos e reproduzimos, seja de seus símbolos, práticas, rituais, etc.

Certo dia, li em uma rede social uma postagem sobre a despolpa do cupuaçu. De imediato, fui remetido às lembranças de minha avó, tirando, com uma tesoura antiga, a polpa de um cupuaçu imenso, que dali nos serviria para sucos, cremes ou doces. Lembro ainda que, ao final do trabalho, ela salpicava os caroços com açúcar, para que pudéssemos continuar a chupá-los.

Estas lembranças afetivas na Gastronomia são chamadas de “comfort food” ou seja, a comida de conforto. E confortam porque nos remetem a momentos felizes, nostálgicos, significativos de tempos de alegria, como uma infância bem vivida, por exemplo. A dimensão da afetividade eleva o patamar de importância que a comida já possui: ela é um elemento de prazer, de deleite e de ligação social e familiar.

Quais são nossas memórias cheias de amor, ligadas à comida: lamber a tigela de massa de bolo ainda cru? A água que lava o restinho de açaí da vasilha e que não nos deixa ter azia? O bolinho de farinha com açúcar e canela, que comíamos em dia de chuva? A pupunha com café no final da tarde? O caribé quentinho que tomávamos ao adoecer? O capitão de arroz e feijão que ajudava a terminar a comida no prato?

Que as memórias felizes que guardamos nos possibilitem respeitar o alimento e seu espaço nas nossas vidas, para que o ritmo veloz da modernidade não apague o prazer de comer juntos e além disso, privilegiar tudo aquilo que nos dá saúde e valorizar quem tão devotadamente o produz.

Comamos e sejamos felizes!

Para saber mais, sugiro a leitura do artigo “Comfort food: sobre conceitos e principais características”, disponível no endereço: http://www3.sp.senac.br/hotsites/blogs/revistacontextos/wp-content/uploads/2016/03/72_CA_artigo_revisado.pdf
 

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