Abrahim Baze

Terezinha Morango entra para a história do Amazonas

Homenagem para a amazonense considerada umas das mais belas mulheres do mundo


Na rua Comendador Alexandre Amorim, 354, no bairro de Aparecida, em Manaus, as crianças não conseguiram dormir, na noite do dia 22 de junho de 1957. Muito barulho, carros passando com alto-falantes e vizinhos em festa. Repórteres faziam perguntas e tiravam fotografias. O motivo? A jovem Terezinha Morango acabara de ganhar o título de Miss Brasil. Seus pais, moradores da rua, celebravam a vitória, dando um gole de Cinzano a cada uma das crianças. Porém, ninguém podia repetir o ato, embora o Cinzano fosse a fonte de renda deles, na pequena mercearia.
 

 

 

Terezinha no baile promovido em sua homenagem, em 1957, pelos títulos de Miss Brasil e Miss Universo. Foto: Abrahim Baze/Acervo Pessoal

 

Dona Emir Gonçalves Morango, mãe de Terezinha, era uma amazonense típica do interior de Estado. Nasceu no município de São Paulo de Olivença, no rio Solimões, na época com 45 anos. Além de Terezinha, mais sete irmãos: José, Getúlio, Maria Antonieta, Marieta, Glória, Maria das Dores e Manuel.
Terezinha Morango, aos 15 anos, foi morar com os tios, recebendo uma boa educação. O pai de Terezinha era português da cidade de Porto, da zona do rio Tinto. Com grandes olhos claros, trabalhava de sol a sol, na pequena mercearia. 
 

 

Terezinha e sua beleza clássica. Foto: Abrahim Baze/Acervo Pessoal

 

Eram quase duas horas da madrugada, quando começaram a chegar as camionetes com alto-falantes, saudando a família Morango. A mãe, dona Emir, negou-se a sair. Dizia que estava feliz, mas não queria homenagens. No Atlético Rio Negro Clube, onde Terezinha Morango iniciou a carreira vertiginosa, estouravam fogos. O baile de comemoração seguiu até a manhã.
No Hotel Amazonas estava hospedado o presidente de Portugal, Craveiro Lopes. As luzes das varandas foram acesas e a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro dobrava sinos em homenagem a Terezinha. O desfecho do acontecimento, marcante eleição de Terezinha para ocupar o trono pertencente até então à gaucha Maria José Cardoso, eleita em 1956, tomou proporções incalculáveis no Amazonas.
Os preparativos para sua recepção prosseguiu numa programação exaustiva. Incluía a mais destacada autoridade e o mais simples cidadão.Na escadaria do Colégio Pedro II, os alunos aguardavam impecavelmente fardados, portando nas mãos bandeirinhas com a foto de Terezinha Morango. Depois da saudação dos ginasianos, Terezinha seguiu em carro alegórico pelo centro de Manaus. Quando passou pelo Instituto de
Educação do Amazonas (IEA), onde foi normalista, recebeu homenagem das mãos da professora Lila Borges de Sá, diretora da Instituição. No local foi saudada com o hino da escola. Finalmente seguiu para sede do Atlético Rio Negro Clube, onde findou a recepção gloriosa da amazonense considerada umas das mais belas mulheres do mundo.

*Artigo publicado na revista da Academia Amazonense de Letras por Abrahim Baze


Abrahim Baze

Terezinha Morango entra para a história do Amazonas

Homenagem para a amazonense considerada umas das mais belas mulheres do mundo

Abrahim Baze

jornalismo@portalamazonia.com


Na rua Comendador Alexandre Amorim, 354, no bairro de Aparecida, em Manaus, as crianças não conseguiram dormir, na noite do dia 22 de junho de 1957. Muito barulho, carros passando com alto-falantes e vizinhos em festa. Repórteres faziam perguntas e tiravam fotografias. O motivo? A jovem Terezinha Morango acabara de ganhar o título de Miss Brasil. Seus pais, moradores da rua, celebravam a vitória, dando um gole de Cinzano a cada uma das crianças. Porém, ninguém podia repetir o ato, embora o Cinzano fosse a fonte de renda deles, na pequena mercearia.
 

 

 

Terezinha no baile promovido em sua homenagem, em 1957, pelos títulos de Miss Brasil e Miss Universo. Foto: Abrahim Baze/Acervo Pessoal

 

Dona Emir Gonçalves Morango, mãe de Terezinha, era uma amazonense típica do interior de Estado. Nasceu no município de São Paulo de Olivença, no rio Solimões, na época com 45 anos. Além de Terezinha, mais sete irmãos: José, Getúlio, Maria Antonieta, Marieta, Glória, Maria das Dores e Manuel.
Terezinha Morango, aos 15 anos, foi morar com os tios, recebendo uma boa educação. O pai de Terezinha era português da cidade de Porto, da zona do rio Tinto. Com grandes olhos claros, trabalhava de sol a sol, na pequena mercearia. 
 

 

Terezinha e sua beleza clássica. Foto: Abrahim Baze/Acervo Pessoal

 

Eram quase duas horas da madrugada, quando começaram a chegar as camionetes com alto-falantes, saudando a família Morango. A mãe, dona Emir, negou-se a sair. Dizia que estava feliz, mas não queria homenagens. No Atlético Rio Negro Clube, onde Terezinha Morango iniciou a carreira vertiginosa, estouravam fogos. O baile de comemoração seguiu até a manhã.
No Hotel Amazonas estava hospedado o presidente de Portugal, Craveiro Lopes. As luzes das varandas foram acesas e a Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro dobrava sinos em homenagem a Terezinha. O desfecho do acontecimento, marcante eleição de Terezinha para ocupar o trono pertencente até então à gaucha Maria José Cardoso, eleita em 1956, tomou proporções incalculáveis no Amazonas.
Os preparativos para sua recepção prosseguiu numa programação exaustiva. Incluía a mais destacada autoridade e o mais simples cidadão.Na escadaria do Colégio Pedro II, os alunos aguardavam impecavelmente fardados, portando nas mãos bandeirinhas com a foto de Terezinha Morango. Depois da saudação dos ginasianos, Terezinha seguiu em carro alegórico pelo centro de Manaus. Quando passou pelo Instituto de
Educação do Amazonas (IEA), onde foi normalista, recebeu homenagem das mãos da professora Lila Borges de Sá, diretora da Instituição. No local foi saudada com o hino da escola. Finalmente seguiu para sede do Atlético Rio Negro Clube, onde findou a recepção gloriosa da amazonense considerada umas das mais belas mulheres do mundo.

*Artigo publicado na revista da Academia Amazonense de Letras por Abrahim Baze

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