Abrahim Baze

O Carnaval de Ontem e de Hoje


Segundo o pesquisador Geraldo Xavier dos Anjos, as reminiscências do carnaval do passado são recheadas de fatos bastante interessantes. Tais manifestações do carnaval que transcorriam nos principais clubes da cidade e de uma forma mais popular nas ruas de Manaus e que hoje torna-se evidente especialmente a presença das bandas na sua maioria já tradicionais na cidade.

O pesquisador nos relata ainda que na época da Província do Amazonas esses acontecimentos de rua eram feitos por brincadeiras como “O Entrudo e o Zé Pereira”, além dos foliões mascarados que invadiam o centro antigo de Manaus quando da época da festa popula
 

 

Professora Vânia Novoa Tadros e esposo Roberto Tadros, Carnaval no Ideal Club. Foto: Acervo da família Tadros

 



Por sua vez, o Entrudo era uma pratica proibida, por promover sujeira e imundície. O Entrudo foi uma manifestação introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses especialmente da Ilha dos Açores.

 

A prática consistia em jogar nas pessoas “água de lama, tinta, lixo e tudo que fosse mal cheiroso, até água podre e urina”. Tal comportamento provocou a proibição por meio de uma portaria da Câmara Municipal de Manaus, publicada no Código de Postura do Município.

O fiscal do Primeiro Distrito desta cidade faz publicar a bem dos interesses o seguinte artigo:

Art.: 82 É proibido andar-se pelas ruas e lugares públicos e jogar entrudo ou lançar alguma coisa sobre os transeuntes: pena de dez mil contos de reis de multa ou três dias de prisão.

Art.: 1 Permite-se os mascarados danças carnavalescas de modo que não ofendam a moral e tranquilidade publica e não contenham alusão às autoridades ou à religião.

Art. 2 Pelas ruas, praças e estradas da cidade não transitaram pessoas mascaradas depois do toque da Ave-Maria, salvo as que tiverem para isso licença da autoridade policial. Os infratores incorrerão na multa de cinco mil reis ou dois dias de prisão.

(Manaus, 28 de janeiro de 1874 - Pedro Mendes Gonçalves Pinto)

Embora sob pena de pesadas multas e prisões, esse procedimento estendeu-se até o inicio do século XX. Por sua vez, o “Zé – Pereira” também trazido pelos portugueses acaba por revolucionar o Carnaval. Os brincantes transitavam pelas vias públicas tocando bumbas, zabumbas, esse costume perdurou até o ano de 1929. As fantasias da época eram de palhaços, diabos, papa-angus, etc. Por volta de 1855 eram publicados em jornais da época os bailes de mascaras, que aconteciam em residências dos barões da borracha e nos clubes. Começa assim a prevalecer o Carnaval de salão que era frequentado por uma classe privilegiada e o de rua que contava com a participação popular.

Geraldo Xavier dos Anjos relata ainda que o comércio dessa época promovia vendas de artigos para a quadra momesca em especial na rua do Imperador (hoje Marechal Deodoro). Nessa artéria funcionava uma loja denominada “Bazar de Paris”, especializada em artigos para Carnaval. Os jornais da época promoviam anúncios de interesses dos foliões como, por exemplo, a presença de um “Coiffeur” francês que se chamava George Petrus. O estabelecimento atendia seus clientes com os mais modernos penteados que eram moda na Europa.


 

Inês Benzecry e César Seixas, no Rio Negro Club. Foto: Arquivo Pessoal

 

Em 1889, época do último Carnaval da Província, aconteceu a “Batalha de Confete” na Praça Dom Pedro II. Com a chegada da República e a urbanização da cidade promovida na administração do governador Eduardo Ribeiro (1892-1896). Na principal artéria e a Rua da Matriz (hoje Eduardo Ribeiro), o Carnaval toma conotação com o desfile do “Clube dos Coatys”. Já em 1904, surgiram dois grupos importantes, “Cavalheiros Infernais e o Clube dos Terríveis”, que prolongou sua participação até 1915.

Os Cavalheiros Infernais eram formados por foliões do Clube Internacional, cujas fantasias eram predominadas pela cor vermelha. O “Clube dos Terríveis”, porém, tinha como folião algumas figura de maior importância do contexto social da época como: o coronel José Cardoso Ramalho Júnior, o ex-governador Silvério Nery, o próprio governador Constantino Nery e o superintendente municipal Adolpho Lisboa e Arthur Cézar Moreira de Araújo.

Fonte: Baze, Abrahim - Luso Sporting Club



Abrahim Baze

O Carnaval de Ontem e de Hoje

Abrahim Baze

jornalismo@portalamazonia.com


Segundo o pesquisador Geraldo Xavier dos Anjos, as reminiscências do carnaval do passado são recheadas de fatos bastante interessantes. Tais manifestações do carnaval que transcorriam nos principais clubes da cidade e de uma forma mais popular nas ruas de Manaus e que hoje torna-se evidente especialmente a presença das bandas na sua maioria já tradicionais na cidade.

O pesquisador nos relata ainda que na época da Província do Amazonas esses acontecimentos de rua eram feitos por brincadeiras como “O Entrudo e o Zé Pereira”, além dos foliões mascarados que invadiam o centro antigo de Manaus quando da época da festa popula
 

 

Professora Vânia Novoa Tadros e esposo Roberto Tadros, Carnaval no Ideal Club. Foto: Acervo da família Tadros

 



Por sua vez, o Entrudo era uma pratica proibida, por promover sujeira e imundície. O Entrudo foi uma manifestação introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses especialmente da Ilha dos Açores.

 

A prática consistia em jogar nas pessoas “água de lama, tinta, lixo e tudo que fosse mal cheiroso, até água podre e urina”. Tal comportamento provocou a proibição por meio de uma portaria da Câmara Municipal de Manaus, publicada no Código de Postura do Município.

O fiscal do Primeiro Distrito desta cidade faz publicar a bem dos interesses o seguinte artigo:

Art.: 82 É proibido andar-se pelas ruas e lugares públicos e jogar entrudo ou lançar alguma coisa sobre os transeuntes: pena de dez mil contos de reis de multa ou três dias de prisão.

Art.: 1 Permite-se os mascarados danças carnavalescas de modo que não ofendam a moral e tranquilidade publica e não contenham alusão às autoridades ou à religião.

Art. 2 Pelas ruas, praças e estradas da cidade não transitaram pessoas mascaradas depois do toque da Ave-Maria, salvo as que tiverem para isso licença da autoridade policial. Os infratores incorrerão na multa de cinco mil reis ou dois dias de prisão.

(Manaus, 28 de janeiro de 1874 - Pedro Mendes Gonçalves Pinto)

Embora sob pena de pesadas multas e prisões, esse procedimento estendeu-se até o inicio do século XX. Por sua vez, o “Zé – Pereira” também trazido pelos portugueses acaba por revolucionar o Carnaval. Os brincantes transitavam pelas vias públicas tocando bumbas, zabumbas, esse costume perdurou até o ano de 1929. As fantasias da época eram de palhaços, diabos, papa-angus, etc. Por volta de 1855 eram publicados em jornais da época os bailes de mascaras, que aconteciam em residências dos barões da borracha e nos clubes. Começa assim a prevalecer o Carnaval de salão que era frequentado por uma classe privilegiada e o de rua que contava com a participação popular.

Geraldo Xavier dos Anjos relata ainda que o comércio dessa época promovia vendas de artigos para a quadra momesca em especial na rua do Imperador (hoje Marechal Deodoro). Nessa artéria funcionava uma loja denominada “Bazar de Paris”, especializada em artigos para Carnaval. Os jornais da época promoviam anúncios de interesses dos foliões como, por exemplo, a presença de um “Coiffeur” francês que se chamava George Petrus. O estabelecimento atendia seus clientes com os mais modernos penteados que eram moda na Europa.


 

Inês Benzecry e César Seixas, no Rio Negro Club. Foto: Arquivo Pessoal

 

Em 1889, época do último Carnaval da Província, aconteceu a “Batalha de Confete” na Praça Dom Pedro II. Com a chegada da República e a urbanização da cidade promovida na administração do governador Eduardo Ribeiro (1892-1896). Na principal artéria e a Rua da Matriz (hoje Eduardo Ribeiro), o Carnaval toma conotação com o desfile do “Clube dos Coatys”. Já em 1904, surgiram dois grupos importantes, “Cavalheiros Infernais e o Clube dos Terríveis”, que prolongou sua participação até 1915.

Os Cavalheiros Infernais eram formados por foliões do Clube Internacional, cujas fantasias eram predominadas pela cor vermelha. O “Clube dos Terríveis”, porém, tinha como folião algumas figura de maior importância do contexto social da época como: o coronel José Cardoso Ramalho Júnior, o ex-governador Silvério Nery, o próprio governador Constantino Nery e o superintendente municipal Adolpho Lisboa e Arthur Cézar Moreira de Araújo.

Fonte: Baze, Abrahim - Luso Sporting Club


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