Abrahim Baze

Manuel Rodrigues do Nascimento e a Universidade Livre de Manáos

O português marcou de forma profunda a história do Amazonas


Manuel Rodrigues do Nascimento que nasceu no dia 12 de dezembro de 1886 foi durante muito tempo diretor do Corpo Cênico do Luso Sporting Club. O destino deste lusitano marca de forma profunda a história da “Universidade Livre de Manáos”. Seu pai, o imigrante português Lourenço do Nascimento imigrou para o Brasil, cujo destino final era a cidade de Manáos, em 1889, tendo deixado em Portugal sua esposa Maria Rodrigues e seu filho Manuel Rodrigues do Nascimento. 
 

 

 

 

Foto: Abrahim Baze/Acervo

 

Lourenço Nascimento já em Manaus, logo começa a trabalhar no Mercado Adolpho Lisboa, com uma pequena banca de verduras e frutas. Distante da família que ficara em Portugal, logo constitui nova família em Manaus, tempos depois sua esposa Maria Rodrigues embarcou com o filho Manuel Rodrigues do Nascimento com aproximadamente sete anos de idade, aqui chegando tomou conhecimento da nova família que seu esposo havia constituído. 
Tentou a todo custo uma reconciliação, porém o objetivo não foi alcançado. Após contrair grave doença ela vem a falecer. Manuel Rodrigues do Nascimento fica órfão de mãe aos oito anos de idade desta forma não quis ir morar com o pai e a madrasta. Apesar de muito jovem começa cedo a trabalhar ajudado por “patrícios” nos afazeres gerais. 
 

 

 

 

Foto: Abrahim Baze/Acervo

 

O tempo passa e o jovem Manuel Rodrigues do Nascimento tornou-se balconista no Mercado Adolpho Lisboa. Tendo recebido convite dos padres para viajar pelo interior do Estado e, logo os padres impressionados com a inteligência do menino proporcionam-lhe o retorno aos estudos, com formação religiosa e a conclusão dos estudos, ele aos dezoito anos retorna a Manaus. 
Portador de uma inteligência invulgar começa logo a se envolver em atividades culturais no Luso Sporting Club, tendo se destacado como ator do Corpo Cênico e diretor da referida Instituição, onde permaneceu atuando até o seu retorno para Portugal. Em Manaus trabalhou duro buscando seu crescimento profissional, para sua subsistência inicia uma nova profissão a de barbeiro, homem extremamente generoso nas horas vagas ajudava arrancando dentes, para atender os patrícios menos favorecidos e principalmente pessoas pobres que o procurava.   
Escreveu-se no Curso de Odontologia na “Universidade Livre de Manáos”, tendo iniciado seus estudos no ano letivo de 1917 e 1918, formando-se em 23 de dezembro de 1918. Contraiu matrimônio duas vezes, tendo ficado viúvo em ambos. Após a viuvez, conheceu a jovem Ermelinda Soeiro de Carvalho, também de nacionalidade portuguesa, ela natural de Guedeiras – Colônia de Sendim – Viseu com quem contraiu matrimônio, cuja diferença entre eles era de nove anos. 
Seu primeiro filho com Ermelinda nasceu em Manaus. Regressou definitivamente para Portugal em 1923, instalando seu consultório odontológico em sua residência em Moimenta da Beira, Distrito de Viseu. Ainda nesta casa nasce o segundo filho que, por vontade dos pais, chamou-se Diógenes, mas tarde, resolveu alugar uma casa em Braga, localizada no Campo das Vinhas, nº 49, para onde mudou-se com toda família. Nesta casa exerceu com dignidade e profissionalismo o sacerdócio de médico dentista. O tempo passa e Deus proporcionou ao casal mais quatro filhos. 
Após sua morte esta casa foi ocupada pelo filho mais velho Diógenes, o único a nascer em Manaus, que como pai tornou-se médico dentista como é o ensino em Portugal e, passou a ocupar o consultório deixado pelo pai. 
 

Foto: Abrahim Baze/Acervo

 

Seus filhos Demóstenes, Tereza e Manuel imigraram para o Brasil. Demóstenes tornou-se industrial na cidade do Rio de Janeiro, aonde veio a falecer. Manuel reside em Belém do Pará e Tereza reside em Manaus. 
Manuel Rodrigues do Nascimento foi um homem com enorme contribuição ao Diretório do Centro Republicano Português, em cujas sessões foi sempre um eloquente orador. No Luso Sporting Club escreveu sua história fruto do labor coletivo e a partilha das encenações teatrais, onde alimentado pelo prazer criativo da bela arte deu vida a seus personagens, que permanecem silenciosamente nas paredes do centenário club, cujas lembranças continuam vivas no cenário imaginário de nossas mentes. 
No dia 29 de maio de 1920 em virtude da preparação em seu regresso a Portugal renunciou a diretoria do club. Igual participação atuou em defesa da classe de Odontologia na Associação Amazonense de Cirurgiões Dentista. Seus filhos Ilcia, Aristóteles e Diógenes residem em Portugal. O Luso Sporting Club quando de sua partida definitiva para Portugal prestou significativa homenagem no dia 29 de fevereiro de 1920, perdia o Amazonas um grande homem e ganhava Portugal um excelente profissional. Manuel Rodrigues do Nascimento faleceu na cidade de Braga em Portugal no dia 20 de janeiro de 1946.

*Informações obtidas pessoalmente pelo autor quando de sua visita a cidade do Porto em Portugal, onde nesta ocasião foram prestadas por sua sobrinha (filha) senhora Maria Ermelinda Faria de Carvalho. 


Abrahim Baze

Manuel Rodrigues do Nascimento e a Universidade Livre de Manáos

O português marcou de forma profunda a história do Amazonas

Abrahim Baze

jornalismo@portalamazonia.com


Manuel Rodrigues do Nascimento que nasceu no dia 12 de dezembro de 1886 foi durante muito tempo diretor do Corpo Cênico do Luso Sporting Club. O destino deste lusitano marca de forma profunda a história da “Universidade Livre de Manáos”. Seu pai, o imigrante português Lourenço do Nascimento imigrou para o Brasil, cujo destino final era a cidade de Manáos, em 1889, tendo deixado em Portugal sua esposa Maria Rodrigues e seu filho Manuel Rodrigues do Nascimento. 
 

 

 

 

Foto: Abrahim Baze/Acervo

 

Lourenço Nascimento já em Manaus, logo começa a trabalhar no Mercado Adolpho Lisboa, com uma pequena banca de verduras e frutas. Distante da família que ficara em Portugal, logo constitui nova família em Manaus, tempos depois sua esposa Maria Rodrigues embarcou com o filho Manuel Rodrigues do Nascimento com aproximadamente sete anos de idade, aqui chegando tomou conhecimento da nova família que seu esposo havia constituído. 
Tentou a todo custo uma reconciliação, porém o objetivo não foi alcançado. Após contrair grave doença ela vem a falecer. Manuel Rodrigues do Nascimento fica órfão de mãe aos oito anos de idade desta forma não quis ir morar com o pai e a madrasta. Apesar de muito jovem começa cedo a trabalhar ajudado por “patrícios” nos afazeres gerais. 
 

 

 

 

Foto: Abrahim Baze/Acervo

 

O tempo passa e o jovem Manuel Rodrigues do Nascimento tornou-se balconista no Mercado Adolpho Lisboa. Tendo recebido convite dos padres para viajar pelo interior do Estado e, logo os padres impressionados com a inteligência do menino proporcionam-lhe o retorno aos estudos, com formação religiosa e a conclusão dos estudos, ele aos dezoito anos retorna a Manaus. 
Portador de uma inteligência invulgar começa logo a se envolver em atividades culturais no Luso Sporting Club, tendo se destacado como ator do Corpo Cênico e diretor da referida Instituição, onde permaneceu atuando até o seu retorno para Portugal. Em Manaus trabalhou duro buscando seu crescimento profissional, para sua subsistência inicia uma nova profissão a de barbeiro, homem extremamente generoso nas horas vagas ajudava arrancando dentes, para atender os patrícios menos favorecidos e principalmente pessoas pobres que o procurava.   
Escreveu-se no Curso de Odontologia na “Universidade Livre de Manáos”, tendo iniciado seus estudos no ano letivo de 1917 e 1918, formando-se em 23 de dezembro de 1918. Contraiu matrimônio duas vezes, tendo ficado viúvo em ambos. Após a viuvez, conheceu a jovem Ermelinda Soeiro de Carvalho, também de nacionalidade portuguesa, ela natural de Guedeiras – Colônia de Sendim – Viseu com quem contraiu matrimônio, cuja diferença entre eles era de nove anos. 
Seu primeiro filho com Ermelinda nasceu em Manaus. Regressou definitivamente para Portugal em 1923, instalando seu consultório odontológico em sua residência em Moimenta da Beira, Distrito de Viseu. Ainda nesta casa nasce o segundo filho que, por vontade dos pais, chamou-se Diógenes, mas tarde, resolveu alugar uma casa em Braga, localizada no Campo das Vinhas, nº 49, para onde mudou-se com toda família. Nesta casa exerceu com dignidade e profissionalismo o sacerdócio de médico dentista. O tempo passa e Deus proporcionou ao casal mais quatro filhos. 
Após sua morte esta casa foi ocupada pelo filho mais velho Diógenes, o único a nascer em Manaus, que como pai tornou-se médico dentista como é o ensino em Portugal e, passou a ocupar o consultório deixado pelo pai. 
 

Foto: Abrahim Baze/Acervo

 

Seus filhos Demóstenes, Tereza e Manuel imigraram para o Brasil. Demóstenes tornou-se industrial na cidade do Rio de Janeiro, aonde veio a falecer. Manuel reside em Belém do Pará e Tereza reside em Manaus. 
Manuel Rodrigues do Nascimento foi um homem com enorme contribuição ao Diretório do Centro Republicano Português, em cujas sessões foi sempre um eloquente orador. No Luso Sporting Club escreveu sua história fruto do labor coletivo e a partilha das encenações teatrais, onde alimentado pelo prazer criativo da bela arte deu vida a seus personagens, que permanecem silenciosamente nas paredes do centenário club, cujas lembranças continuam vivas no cenário imaginário de nossas mentes. 
No dia 29 de maio de 1920 em virtude da preparação em seu regresso a Portugal renunciou a diretoria do club. Igual participação atuou em defesa da classe de Odontologia na Associação Amazonense de Cirurgiões Dentista. Seus filhos Ilcia, Aristóteles e Diógenes residem em Portugal. O Luso Sporting Club quando de sua partida definitiva para Portugal prestou significativa homenagem no dia 29 de fevereiro de 1920, perdia o Amazonas um grande homem e ganhava Portugal um excelente profissional. Manuel Rodrigues do Nascimento faleceu na cidade de Braga em Portugal no dia 20 de janeiro de 1946.

*Informações obtidas pessoalmente pelo autor quando de sua visita a cidade do Porto em Portugal, onde nesta ocasião foram prestadas por sua sobrinha (filha) senhora Maria Ermelinda Faria de Carvalho. 

TAG Abrahim BazeartigoarticulistaPortugalAmazonasManaus