Abrahim Baze

Empresas Portuguesas e o Látex

Os imigrantes portugueses tiveram importante função na modelagem da sociedade e da economia amazônica, nas cidades e no interior

Abrahim Baze



Foto: ArquivoOs imigrantes portugueses tiveram ainda importante função na modelagem da sociedade e da economia amazônica, tanto nas cidades como o interior. Naturalmente, como classe política dominante e como o surgimento das atividades agrícolas e florestais extrativistas, tornaram-se agentes decisivos, suprindo essas atividades de liderança empresarial necessárias, como produtores, mercadores, exportadores e comerciantes, alcançando posição oligopolista, que se manteve do ápice da atividade socioeconômica baseada na borracha até o advento de novas correntes e grupos culturais mais dinâmicos e inovadores. Durante a fase áurea do látex, no fim do século XIX e na primeira década do século XX, milhares de imigrantes lusos, atraídos pela fortuna conquistada por meio do trabalho, foram pioneiros na organização do sistema mercantilista de intercâmbio, cuja maior atuação era em Manaus e Belém, transformaram essas cidades em entrepostos comerciais e, por algumas décadas estabeleceram as linhas lógicas de suprimento rio acima de mercadores à base de credito pessoal, com os seringalistas recebendo em contrapartida, rio abaixo, mediante compra e venda os gêneros e produtos extrativos destinados à exportação. Esse produto histórico da economia amazônica, com bem escreveu o professor emérito Samuel Benchimol, denominou a Era dos Jotas, em decorrência da preferência dessa letra nas iniciais das firmas pertencentes a portugueses de então como, por exemplo: J. G. Araújo, J. S. Amorim, J. A. Leite, J. Soares, J. Rufino e tantos outros.Nesse período de crise e depressão, nas décadas dos anos 20, 30, e 40, substituíram os antigos exportadores anglo-saxões e germânicos, que emigraram para os seus países de origem, passando a dominar como aviadores e exportadores, nas capitais e no interior do Estado, juntamente com os descendentes dos imigrantes judeu-marroquinos e sírio-libaneses.As estatísticas do Censo de 1920 contaram a existência, no Estado do Amazonas, cerca de 8.376 portugueses, sendo 6.103 homens e 2.273 mulheres e no Estado do Pará havia 15.631 portugueses, sendo 12.382 homens e 3.249 mulheres, o que muito contribuiu no processo de integração e miscigenação a partir do casamento com mulheres nativas. Eram os portugueses o maior número do grupo de estrangeiros, com um total de 24.007 pessoas estrangeiras para um total de 39.019 estrangeiros recenseados no ano de 1920, ou seja, os portugueses representavam 5.61% da população amazônica, dos quais 445.356 em Belém e 249.746 em Manaus. Considerado somente a população urbana, 236.402 habitantes em Belém e 75.704 em Manaus; os 24.007 portugueses da época que na sua maioria residiam nessas duas cidades representavam 13. 0% da população urbana dessas metrópoles do látex. Na sua grande maioria os imigrantes portugueses provinham da região dos minifúndios do médio e do norte de Portugal. Deixaram suas aldeias, freguesias, quintas ao longo do rio Douro, Minho e Tejo: Vila Real, Povoa do Varzim, Viana do Castelo, Vila Nova de Gaia, Porto, Caldas da Rainha, Guarda, Albergaria – a – Velha, Alcabaça.Chaves, Soure, Viseu, Melgaço, Braga, Barcelos, Santarém, Alenquer, Bragança, Faro, Óbidos, Aveiro, Almada, Sintra, Oeiras, Seúbal, Arganil, Tabuaço, Matosinhos, Esparreja, Esposente, Coimbra, Pinhel, Murtusa, Armamar, Amores, Leiria, Ovar, Vila Flor, Mirandela, Covilhã, Concelhos, de onde se originaria a maioria dos portugueses que imigraram para o Brasil e estabeleceram-se Manaus e Belém.No Amazonas e Pará alguns desses nomes portugueses se tornaram muito familiares em nossa região, pois foram adotadas por ocasião de fundação de vilas e cidades da Amazônia.Os imigrantes portugueses na sua maioria eram jovens descendentes de famílias pobres, normalmente filhos de agricultores e proprietário de quintas e sítios, naturalmente de numerosa família patriarcal, com rígida educação doméstica e extremamente obediente à tradição, valores familiares devotos de santa ou santo padroeiro da comunidade em especial a Nossa Senhora de Fátima.
Portugal, no final do século passado, enfrentava uma crise econômica. As terras agrícolas dos minifúndios pertencentes a proprietário que possuíam famílias numerosas, sem terem como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terra, como a subdivisão da herança, se tornaram tão pequenas que eram incapazes de sustentar uma família.Uma das formas encontradas para sobreviver era buscar novos horizontes. O jeito encontrado fora imigrar para as colônias de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Diu, Damão, Macau, remanescentes do antigo Império. No limiar de suas juventudes migravam para essas colônias e para o Brasil, Venezuela e Estados Unidos, em busca de trabalho e dias melhores.As numerosas famílias que sobreviveram de uma agricultura quase de sobrevivência, cuidando das vinhas, das oliveiras, do azeite, da cortiça e de outros tantos produtos, incentivaram seus filhos a imigrar para o além-mar. Em muitas ocasiões eram trazidas por parentes próximos e até amigos da família que, no Brasil, haviam conseguido um pequeno negócio e procuraram pessoas de confiança para ajudar a administrar os negócios. Normalmente a fama de negócios era: mercearias, padarias, açougues, bares, botequins, feira, quitandas, lojas e comércio em geral.No decorrer do tempo, esses parentes e amigos se tornaram sócios e parceiros no empreendimento comercial em que trabalhavam. Ou até se desligavam para formar novas parcerias ou começar os próprios negócios. Dessa forma começava sua ascensão socioeconômica. No caso da Amazônia, além desses estabelecimentos varejistas, os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio do látex e gêneros regionais, propiciou-se a chegada de muitos imigrantes portugueses para aprender o oficio de caixeiros, balconistas, vendedores internos e externos, viajantes e propostos dos patrões como pessoas de confiança.Com o distanciamento das famílias que ficavam na origem, Portugal passavam-se anos sem noticias dos seus descendentes, quando conseguia amealhar recursos visitava a família em Portugal. 


Abrahim Baze

Empresas Portuguesas e o Látex

Os imigrantes portugueses tiveram importante função na modelagem da sociedade e da economia amazônica, nas cidades e no interior

Abrahim Baze



Foto: ArquivoOs imigrantes portugueses tiveram ainda importante função na modelagem da sociedade e da economia amazônica, tanto nas cidades como o interior. Naturalmente, como classe política dominante e como o surgimento das atividades agrícolas e florestais extrativistas, tornaram-se agentes decisivos, suprindo essas atividades de liderança empresarial necessárias, como produtores, mercadores, exportadores e comerciantes, alcançando posição oligopolista, que se manteve do ápice da atividade socioeconômica baseada na borracha até o advento de novas correntes e grupos culturais mais dinâmicos e inovadores. Durante a fase áurea do látex, no fim do século XIX e na primeira década do século XX, milhares de imigrantes lusos, atraídos pela fortuna conquistada por meio do trabalho, foram pioneiros na organização do sistema mercantilista de intercâmbio, cuja maior atuação era em Manaus e Belém, transformaram essas cidades em entrepostos comerciais e, por algumas décadas estabeleceram as linhas lógicas de suprimento rio acima de mercadores à base de credito pessoal, com os seringalistas recebendo em contrapartida, rio abaixo, mediante compra e venda os gêneros e produtos extrativos destinados à exportação. Esse produto histórico da economia amazônica, com bem escreveu o professor emérito Samuel Benchimol, denominou a Era dos Jotas, em decorrência da preferência dessa letra nas iniciais das firmas pertencentes a portugueses de então como, por exemplo: J. G. Araújo, J. S. Amorim, J. A. Leite, J. Soares, J. Rufino e tantos outros.Nesse período de crise e depressão, nas décadas dos anos 20, 30, e 40, substituíram os antigos exportadores anglo-saxões e germânicos, que emigraram para os seus países de origem, passando a dominar como aviadores e exportadores, nas capitais e no interior do Estado, juntamente com os descendentes dos imigrantes judeu-marroquinos e sírio-libaneses.As estatísticas do Censo de 1920 contaram a existência, no Estado do Amazonas, cerca de 8.376 portugueses, sendo 6.103 homens e 2.273 mulheres e no Estado do Pará havia 15.631 portugueses, sendo 12.382 homens e 3.249 mulheres, o que muito contribuiu no processo de integração e miscigenação a partir do casamento com mulheres nativas. Eram os portugueses o maior número do grupo de estrangeiros, com um total de 24.007 pessoas estrangeiras para um total de 39.019 estrangeiros recenseados no ano de 1920, ou seja, os portugueses representavam 5.61% da população amazônica, dos quais 445.356 em Belém e 249.746 em Manaus. Considerado somente a população urbana, 236.402 habitantes em Belém e 75.704 em Manaus; os 24.007 portugueses da época que na sua maioria residiam nessas duas cidades representavam 13. 0% da população urbana dessas metrópoles do látex. Na sua grande maioria os imigrantes portugueses provinham da região dos minifúndios do médio e do norte de Portugal. Deixaram suas aldeias, freguesias, quintas ao longo do rio Douro, Minho e Tejo: Vila Real, Povoa do Varzim, Viana do Castelo, Vila Nova de Gaia, Porto, Caldas da Rainha, Guarda, Albergaria – a – Velha, Alcabaça.Chaves, Soure, Viseu, Melgaço, Braga, Barcelos, Santarém, Alenquer, Bragança, Faro, Óbidos, Aveiro, Almada, Sintra, Oeiras, Seúbal, Arganil, Tabuaço, Matosinhos, Esparreja, Esposente, Coimbra, Pinhel, Murtusa, Armamar, Amores, Leiria, Ovar, Vila Flor, Mirandela, Covilhã, Concelhos, de onde se originaria a maioria dos portugueses que imigraram para o Brasil e estabeleceram-se Manaus e Belém.No Amazonas e Pará alguns desses nomes portugueses se tornaram muito familiares em nossa região, pois foram adotadas por ocasião de fundação de vilas e cidades da Amazônia.Os imigrantes portugueses na sua maioria eram jovens descendentes de famílias pobres, normalmente filhos de agricultores e proprietário de quintas e sítios, naturalmente de numerosa família patriarcal, com rígida educação doméstica e extremamente obediente à tradição, valores familiares devotos de santa ou santo padroeiro da comunidade em especial a Nossa Senhora de Fátima.
Portugal, no final do século passado, enfrentava uma crise econômica. As terras agrícolas dos minifúndios pertencentes a proprietário que possuíam famílias numerosas, sem terem como encaminhar seus filhos para a lavoura, uma vez que as parcelas de terra, como a subdivisão da herança, se tornaram tão pequenas que eram incapazes de sustentar uma família.Uma das formas encontradas para sobreviver era buscar novos horizontes. O jeito encontrado fora imigrar para as colônias de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Goa, Diu, Damão, Macau, remanescentes do antigo Império. No limiar de suas juventudes migravam para essas colônias e para o Brasil, Venezuela e Estados Unidos, em busca de trabalho e dias melhores.As numerosas famílias que sobreviveram de uma agricultura quase de sobrevivência, cuidando das vinhas, das oliveiras, do azeite, da cortiça e de outros tantos produtos, incentivaram seus filhos a imigrar para o além-mar. Em muitas ocasiões eram trazidas por parentes próximos e até amigos da família que, no Brasil, haviam conseguido um pequeno negócio e procuraram pessoas de confiança para ajudar a administrar os negócios. Normalmente a fama de negócios era: mercearias, padarias, açougues, bares, botequins, feira, quitandas, lojas e comércio em geral.No decorrer do tempo, esses parentes e amigos se tornaram sócios e parceiros no empreendimento comercial em que trabalhavam. Ou até se desligavam para formar novas parcerias ou começar os próprios negócios. Dessa forma começava sua ascensão socioeconômica. No caso da Amazônia, além desses estabelecimentos varejistas, os portugueses dominavam as casas aviadoras e o comércio do látex e gêneros regionais, propiciou-se a chegada de muitos imigrantes portugueses para aprender o oficio de caixeiros, balconistas, vendedores internos e externos, viajantes e propostos dos patrões como pessoas de confiança.Com o distanciamento das famílias que ficavam na origem, Portugal passavam-se anos sem noticias dos seus descendentes, quando conseguia amealhar recursos visitava a família em Portugal. 

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