Abrahim Baze

Amazônia – O látex e o Banco do Brasil

Fruto desta realidade a região amazônica foi inserida compulsoriamente na engrenagem do capitalismo internacional,


A história da ocupação do espaço tem como momento marcante o período do ciclo da borracha com profundas consequências para a realidade demográfica regional. A verdade é que a Amazônia não foi mais a mesma depois do Fausto do látex. A ocupação que intensificou as cidades que sofreram profundas mutações, as principais capitais regionais Belém e Manaus experimentaram um processo de modernização sem precedentes.


Fruto desta realidade a região amazônica foi inserida compulsoriamente na engrenagem do capitalismo internacional, como principal fornecedora de uma matéria-prima indispensável na produção de diversos produtos, ajudando alavancar a indústria automobilística. 

 

 

 

Foto: Acervo particular

 


Do ponto de vista histórico, foi um tempo efêmero, mas definitivo na história da Amazônia, a produção do látex supriu as necessidades do mercado internacional, conectando-se com os principais centros de produção industrial. Em meio a esse contexto a região ajudou a financiar o processo de desenvolvimento nacional, em seus momentos iniciais, ao tempo em que contribuiu para projetar o Brasil no exterior, estimulando interesses de investidores e ações econômicas que implementaram  o desenvolvimento internacional. 

O Centenário do Banco do Brasil 

O Banco do Brasil no Amazonas faz parte dessa história, desde quando implantou-se na cidade de Manaus, no dia 14 de agosto de 1908, sob o nº 0002-7, na realidade foi a segunda agência no Brasil. Era governador do Amazonas naquele período, o coronel Raymundo Affonso de Carvalho, respondendo interinamente na ausência do governador Antônio Constantino Nery. A agência foi instalada no Largo da Imperatriz, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, hoje Praça 15 de Novembro. Foi seu primeiro gerente o senhor José Joaquim Monteiro de Andrade, mais tarde tendo chegado a presidência da instituição.

Muitas foram as empresas instaladas aqui, dentre elas destacado; Gunzburger, Armazéns Andressem, B. A. Antunes, J. G. Araújo, B. Levi, Trancredo Porto, Gomes e Mesquita e Cia. 

A Crise de 1908

No início de 1908, ano em que o Banco do Brasil se instalou em Manaus, continuando uma tendência que vinha do ano anterior, a cotação do látex, em Liverpool, caiu para 2sh e 9d e, embora o mercado já estivesse recuperado em outubro, com os preços subindo para 4sh, o fenômeno causou grande impacto na praça de Manaus, que passara situações idênticas, uns dez anos antes, quando a expansão da indústria de bicicletas determinara uma baixa decorrente da falta de mercado, para a colocação dos veículos fabricados. Era o resultado da entrada do látex asiático no comércio internacional, complementado pelo aumento do uso do látex recuperada, a “Reclaimed Rubber” dos americanos, pela venda de 3.000 toneladas de “Guayle” produzidos no México e no Sul dos Estados Unidos e pela superprodução de pneus para automóveis nos quais era utilizado, com exclusividade, o látex natural do Amazonas. O excesso de pneus à venda fizera com que as indústrias diminuíssem as suas compras, embora a goma elástica continuasse a ser extraída, determinando o acumulo de estoque sem compradores. 


Abrahim Baze

Amazônia – O látex e o Banco do Brasil

Fruto desta realidade a região amazônica foi inserida compulsoriamente na engrenagem do capitalismo internacional,

Abrahim Baze

jornalismo@portalamazonia.com


A história da ocupação do espaço tem como momento marcante o período do ciclo da borracha com profundas consequências para a realidade demográfica regional. A verdade é que a Amazônia não foi mais a mesma depois do Fausto do látex. A ocupação que intensificou as cidades que sofreram profundas mutações, as principais capitais regionais Belém e Manaus experimentaram um processo de modernização sem precedentes.


Fruto desta realidade a região amazônica foi inserida compulsoriamente na engrenagem do capitalismo internacional, como principal fornecedora de uma matéria-prima indispensável na produção de diversos produtos, ajudando alavancar a indústria automobilística. 

 

 

 

Foto: Acervo particular

 


Do ponto de vista histórico, foi um tempo efêmero, mas definitivo na história da Amazônia, a produção do látex supriu as necessidades do mercado internacional, conectando-se com os principais centros de produção industrial. Em meio a esse contexto a região ajudou a financiar o processo de desenvolvimento nacional, em seus momentos iniciais, ao tempo em que contribuiu para projetar o Brasil no exterior, estimulando interesses de investidores e ações econômicas que implementaram  o desenvolvimento internacional. 

O Centenário do Banco do Brasil 

O Banco do Brasil no Amazonas faz parte dessa história, desde quando implantou-se na cidade de Manaus, no dia 14 de agosto de 1908, sob o nº 0002-7, na realidade foi a segunda agência no Brasil. Era governador do Amazonas naquele período, o coronel Raymundo Affonso de Carvalho, respondendo interinamente na ausência do governador Antônio Constantino Nery. A agência foi instalada no Largo da Imperatriz, ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, hoje Praça 15 de Novembro. Foi seu primeiro gerente o senhor José Joaquim Monteiro de Andrade, mais tarde tendo chegado a presidência da instituição.

Muitas foram as empresas instaladas aqui, dentre elas destacado; Gunzburger, Armazéns Andressem, B. A. Antunes, J. G. Araújo, B. Levi, Trancredo Porto, Gomes e Mesquita e Cia. 

A Crise de 1908

No início de 1908, ano em que o Banco do Brasil se instalou em Manaus, continuando uma tendência que vinha do ano anterior, a cotação do látex, em Liverpool, caiu para 2sh e 9d e, embora o mercado já estivesse recuperado em outubro, com os preços subindo para 4sh, o fenômeno causou grande impacto na praça de Manaus, que passara situações idênticas, uns dez anos antes, quando a expansão da indústria de bicicletas determinara uma baixa decorrente da falta de mercado, para a colocação dos veículos fabricados. Era o resultado da entrada do látex asiático no comércio internacional, complementado pelo aumento do uso do látex recuperada, a “Reclaimed Rubber” dos americanos, pela venda de 3.000 toneladas de “Guayle” produzidos no México e no Sul dos Estados Unidos e pela superprodução de pneus para automóveis nos quais era utilizado, com exclusividade, o látex natural do Amazonas. O excesso de pneus à venda fizera com que as indústrias diminuíssem as suas compras, embora a goma elástica continuasse a ser extraída, determinando o acumulo de estoque sem compradores. 

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