Abrahim Baze

A tragédia do Navio Paes de Carvalho

De todas as tragédias marítimas, o naufrágio foi a maior já ocorrida na Amazônia

Abrahim Baze


De todas as tragédias marítimas, o naufrágio do navio vapor Paes de Carvalho da frota da empresa Amazon River, à meia noite do dia dezenove de março de 1926, foi a maior já ocorrida na Amazônia. A viagem prosseguia com normalidade. Às três horas e quarenta minutos da madrugada o cozinheiro da embarcação deu alarme “fogo a bordo”.O Comandante João de Deus Cabral dos Anjos, marítimo bastante conhecido e conceituado da marinha mercante tocava em frente à viagem sem qualquer anormalidade. O vapor navio Paes de Carvalho havia embarcado no porto grande número de passageiros e uma quantidade expressiva de carga como era comum ocorrer naquela época com os gaiolas empregados na navegação da Amazônia. 
O percurso ia sendo conduzido sem novidades. Ao chegar ao porto de Codajás o Comandante notou dois reboques de pescadores portugueses que conseqüentemente atrasavam a marcha da embarcação. O navio prosseguiu sua rota navegando a costa do Camará, a margem esquerda do rio Solimões, passando pela ilha de Ajurá situado na foz do Paraná do Mamiá, logo atingiu a ponta da ilha do Botija. É de notar-se que a ilha do Botija no rio Solimões divide o rio em dois braços: um segue para a esquerda denominado Paraná do Mamiá e o outro a direita que leva o rio Solimões onde fica a ilha do Trocary, pouco a baixo do porto do mesmo nome a embarcação deveria desembarcar passageiros e mercadoria.O incêndio teve origem em um presumível gesto de uma passageira da terceira classe que após fumar cachimbo sacudiu as cinzas sem perceber que estava próxima de inflamáveis. Neste momento os gritos de alarme foram intensos. Era tarde o fogo havia tomado proporções gigantescas, qualquer esforço tornava-se impossível controlar o incêndio, o barco estava irremediavelmente tomado pelas chamas. O comandante João de Deus Cabral dos Anjos procurava conter o pânico dos passageiros totalmente desorientados que gritavam e pediam socorro. Começavam então sob uma desordem indescritível os primeiros trabalhos de salvamento dos passageiros e da tripulação. Arriaram-se as primeiras balieiras e as poucas canoas que havia a bordo para o desembarque dos passageiros.
Foto: Reprodução/Arquivo Abrahim BazeForam socorridos pelo Navio Motor Índio do Brasil que transportou os náufragos para o Porto de Manaus, desembarcando às quinze horas do dia vinte e dois. O Comandante João de Deus Cabral dos Anjos nasceu em Alhandra, Portugal, no dia quatorze de setembro de 1883. Era filho do Comendador João Ozório Cabral dos Anjos e de dona Gertrudes Cabral dos Anjos. Veio para Manaus com oito anos de idade, aos onze empregou-se a bordo como praticante. Foi mais tarde prático e em 1914 Comandante, depois de ter submetido-se ao respectivo exame no Estado do Pará. Sempre exerceu sua atividade na “The Amazon River Steam Navegation Company Limited”, tendo comandado os seguintes vapores da mesma companhia: Indio do Brasil, Madeira Mamoré, Tefé e finalmente o Paes de Carvalho. Contraiu matrimônio em Manaus no dia cinco de junho de 1909, com dona Helena Guedes Cabral dos Anjos, filha do senhor Joaquim Antônio Guedes e dona Maria Rebello Guedes. Deixou além da viúva nove filhos: Nilce com quinze anos, Elmizia com treze anos, Almerio com onze anos, Cecília com oito anos, Homero com cinco anos, Jorge com quatro anos, Ivanisi com três anos Alfredo Augusto com um ano e Denise com cinco meses. Amou a Amazônia com muito ardor, afinal deixou Portugal ainda criança. Tendo naturalizado-se brasileiro.


Abrahim Baze

A tragédia do Navio Paes de Carvalho

De todas as tragédias marítimas, o naufrágio foi a maior já ocorrida na Amazônia

Abrahim Baze


De todas as tragédias marítimas, o naufrágio do navio vapor Paes de Carvalho da frota da empresa Amazon River, à meia noite do dia dezenove de março de 1926, foi a maior já ocorrida na Amazônia. A viagem prosseguia com normalidade. Às três horas e quarenta minutos da madrugada o cozinheiro da embarcação deu alarme “fogo a bordo”.O Comandante João de Deus Cabral dos Anjos, marítimo bastante conhecido e conceituado da marinha mercante tocava em frente à viagem sem qualquer anormalidade. O vapor navio Paes de Carvalho havia embarcado no porto grande número de passageiros e uma quantidade expressiva de carga como era comum ocorrer naquela época com os gaiolas empregados na navegação da Amazônia. 
O percurso ia sendo conduzido sem novidades. Ao chegar ao porto de Codajás o Comandante notou dois reboques de pescadores portugueses que conseqüentemente atrasavam a marcha da embarcação. O navio prosseguiu sua rota navegando a costa do Camará, a margem esquerda do rio Solimões, passando pela ilha de Ajurá situado na foz do Paraná do Mamiá, logo atingiu a ponta da ilha do Botija. É de notar-se que a ilha do Botija no rio Solimões divide o rio em dois braços: um segue para a esquerda denominado Paraná do Mamiá e o outro a direita que leva o rio Solimões onde fica a ilha do Trocary, pouco a baixo do porto do mesmo nome a embarcação deveria desembarcar passageiros e mercadoria.O incêndio teve origem em um presumível gesto de uma passageira da terceira classe que após fumar cachimbo sacudiu as cinzas sem perceber que estava próxima de inflamáveis. Neste momento os gritos de alarme foram intensos. Era tarde o fogo havia tomado proporções gigantescas, qualquer esforço tornava-se impossível controlar o incêndio, o barco estava irremediavelmente tomado pelas chamas. O comandante João de Deus Cabral dos Anjos procurava conter o pânico dos passageiros totalmente desorientados que gritavam e pediam socorro. Começavam então sob uma desordem indescritível os primeiros trabalhos de salvamento dos passageiros e da tripulação. Arriaram-se as primeiras balieiras e as poucas canoas que havia a bordo para o desembarque dos passageiros.
Foto: Reprodução/Arquivo Abrahim BazeForam socorridos pelo Navio Motor Índio do Brasil que transportou os náufragos para o Porto de Manaus, desembarcando às quinze horas do dia vinte e dois. O Comandante João de Deus Cabral dos Anjos nasceu em Alhandra, Portugal, no dia quatorze de setembro de 1883. Era filho do Comendador João Ozório Cabral dos Anjos e de dona Gertrudes Cabral dos Anjos. Veio para Manaus com oito anos de idade, aos onze empregou-se a bordo como praticante. Foi mais tarde prático e em 1914 Comandante, depois de ter submetido-se ao respectivo exame no Estado do Pará. Sempre exerceu sua atividade na “The Amazon River Steam Navegation Company Limited”, tendo comandado os seguintes vapores da mesma companhia: Indio do Brasil, Madeira Mamoré, Tefé e finalmente o Paes de Carvalho. Contraiu matrimônio em Manaus no dia cinco de junho de 1909, com dona Helena Guedes Cabral dos Anjos, filha do senhor Joaquim Antônio Guedes e dona Maria Rebello Guedes. Deixou além da viúva nove filhos: Nilce com quinze anos, Elmizia com treze anos, Almerio com onze anos, Cecília com oito anos, Homero com cinco anos, Jorge com quatro anos, Ivanisi com três anos Alfredo Augusto com um ano e Denise com cinco meses. Amou a Amazônia com muito ardor, afinal deixou Portugal ainda criança. Tendo naturalizado-se brasileiro.

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